Beócia

Região da antiga Grécia Central, a norte do Golfo de Corinto, separada da Ilha de Eubeia, a nordeste, por um estreito canal, encontrava-se limitada a norte pela Lócrida e pela Fócida, a oeste pela Etólia e a sul pela Ática.
Possuía uma planície muito fértil, rica em árvores de fruto e vinhas na parte sul banhada pelo rio Cefiso e uma zona muito montanhosa a norte. O lago Cópais fazia a divisão entre a capital, Tebas e Orcómenos, constituindo as duas mais importantes cidades da civilização micénica.
Foi a cidade-berço de muitos poetas (Hesíodo, Píndaro e Plutarco) e palco de célebres batalhas, como é o caso das batalhas de Queronéia, Plateias, Coronéia e Haliarto. De entre os cultos praticados na Beócia, destacam-se os ligados ao deus Eros e ao deus Apolo.
Por volta do século XIII-XII a. C. foi ocupada pelos beócios, de raça eólica, que vieram da Tessália, antes da invasão dos dórios.
Os beócios eram agricultores autossuficientes e, por isso, não participaram da expansão marítima da Grécia.
Esta região foi dividida em várias cidades que ao longo dos tempos se foram confrontando e, por fim, no século IV a. C. foram agrupadas na Liga Beócia chefiada por Tebas, apesar da oligarquia continuar a ser o regime patente nestas cidades.
Esta Lliga acabou por desempenhar um papel muito importante na história da Grécia, embora Atenas só a considerasse uma cidade de agricultores pouco inteligentes.
A Liga Beócia era dirigida por generais ou "beotarcas", cujas magistraturas duravam um ano.
A Beócia ligou-se aos persas (479 a. C.), durante a segunda guerra médica e, mais tarde, aproveitando a rivalidade desde sempre existente entre esta cidade e Atenas, aliou-se a Esparta durante a Guerra do Peloponeso. Uma vez derrubada Atenas (404 a. C.), Tebas conseguiu resistir à hegemonia imposta por Esparta, a partir de 396 a. C..
Após a sua vitória sobre os leuctros em 371 a. C., Tebas assumiu um papel de relevo nos destinos da Grécia entre 371-361 a. C.. Face à ameaça dos macedónios, os beócios e os atenienses aliaram-se, acabando por ser vencidos em 338 a. C. em Queronéia, por Filipe da Macedónia, matando muitos dos habitantes de Tebas e arrasando por completo a cidade em 335 a. C., conservando, unicamente, a casa de Píndaro e a cidadela de Cadmeia.
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