Bernardo Soares

É um semi-heterónimo de Fernando Pessoa porque - como afirma o seu próprio criador - "não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afetividade."
Desde 1914 que Pessoa ia escrevendo fragmentos de cariz confessional, diarístico e memorialista aos quais, já a partir dessa data, deu o título de Livro do Desassossego - obra que o ocupou até ao fim. Há aspetos "biográficos" que o aproximam de Pessoa: é ajudante de guarda livros em Lisboa e trabalha em escritórios modestos na Baixa pombalina.

Se pelo carácter deambulatório se aproxima de Cesário Verde, se a sua prosa (tantas vezes poética), recheada de pensamento e de preocupações metafísicas, o irmana de Pessoa-Campos, se a sua escrita propriamente fragmentária e de tom diarístico, labiríntica e lúcida face à consciência de si e do Mistério (presente até no que há de mais insignificante) faz pensar no Húmus de Raul Brandão, podemos então olhar o Livro do Desassossego como um dos pilares da prosa moderna portuguesa.
Como referenciar: Bernardo Soares in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-21 07:06:37]. Disponível na Internet: