Bertrand Piccard

Balonista e psiquiatra suíço Bertrand Piccard nasceu a 1 de março de 1958, fazendo parte de uma família de exploradores e cientistas. O seu avô, Auguste Piccard, inventou a cabine pressurizada para voo de balão e o batíscafo, aparelho esférico em forma de aço usado para descer ao fundo do mar. Com um balão em forma de gôndola, foi o primeiro homem a atingir a estratosfera, em 1931. O pai de Bertrand, Jacques Piccard, usou o batíscafo para bater o recorde do mundo de descida no oceano ao mergulhar até 10 916 metros. O facto do pai pertencer à NASA (Agência Espacial Norte-Americana) fez com que Bertrand desde cedo convivesse com astronautas e exploradores, o que levou a que ganhasse um grande gosto por aventuras.
Bertrand Piccard estudou medicina e foi trabalhar para um hospital psiquiátrico. Entretanto, especializou-se em psiquiatria e psicoterapia para adultos e crianças. A sua tese, intitulada "A Pedagogia da Provação", foi premiada pela Faculdade de Medicina de Lausana, na Suíça, em 1996. Especializou-se também em hipnoterapia e é professor e supervisor da Sociedade Suíça de Hipnose Medicinal.
Paralelamente, Bertand Piccard interessava-se pelo comportamento humano perante situações extremas. Assim, na década de 70, por volta dos 16 anos, tornou-se um dos pioneiros dos voos em ultra-leve e asa delta. Em 1985, chegou mesmo a consagrar-se campeão da Europa de acrobacias aéreas em asa delta. Antes, aos 21 anos, tinha feito a primeira viagem de balão.
Mas o balonismo entrou definitivamente na vida de Bertrand Piccard em 1992, quando foi convidado para copiloto de uma equipa que ia participar na primeira Corrida Transatlântica. O convite surgiu porque Piccard tinha no seu currículo estudos médicos. Aceitou o desafio e durante cinco dias viajou da América do Norte até à Europa, uma experiência que diz ter modificado a sua visão sobre a vida. Juntamente com Wim Verstraeten, acabou por ganhar a corrida. Esta experiência fez com que ficasse fascinado com o balonismo e com o propósito de ir ainda mais longe. Assim, nasceu a ideia de dar a volta ao Mundo em balão de modo a fazer o voo mais longo de sempre. Arrancou em 1993 com o Projeto Breitling. O projeto demorou seis anos a concretizar e pelo meio ficaram duas tentativas falhadas, uma em janeiro de 1997 e outra um ano depois, ambas na companhia de Win Verstraeten. A 21 de março de 1999 o objetivo foi alcançado, a bordo do Breitling Orbiter 3. Bertrand Piccard, acompanhado pelo inglês Brian Jones, realizou o primeiro voo em balão à volta do mundo sem escalas. Foi, simultaneamente, o mais longo voo de sempre em termos de duração e distância. A dupla percorreu 45 755 quilómetros em 19 dias, 21 horas e 47 minutos. O voo começou na Suíça e acabou no Egito. Esta volta ao Mundo em balão foi considerada a última grande aventura do século XX e valeu a Piccard uma série de distinções. Foi distinguido com a Ordem Olímpica e a Medalha de Ouro do Ministério da Juventude francês, o Grande Prémio da Academia das Ciências Morais e Políticas do Instituto de França e também com galardões da Federação Internacional de Aeronáutica, da National Geographic Society, entre outros. Foi ainda nomeado Embaixador da Boa-Vontade das Nações Unidas.
Piccard e Jones criaram ainda uma fundação humanitária chamada Ventos de Esperança destinada a usar o impacto da aventura à volta do Mundo para ajudar causas esquecidas do nosso planeta.
Entretanto, Piccard dedicou-se também a escrever livros e a dar conferências sobre balonismo e aventura nos Estados Unidos da América, Europa e Ásia.
O seu mais recente projeto Solar Impulse tem como objetivo realizar a volta ao mundo num avião movido a energia solar.
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