Biblioteca Pública de Braga

A história da Biblioteca Pública de Braga foi longa e não isenta de sobressaltos que a marcaram decisivamente. É um notável edifício que ocupa o primitivo Paço dos Arcebispos. Nela se conservam mais de 250 mil volumes espalhadas pelos diversos salões e sala de leitura, constituindo um notável conjunto bibliográfico a nível nacional.
A biblioteca bracarense nasce em 1842, em pleno reinado de D. Maria II, incentivada pelo erudito Rodrigues de Abreu e apoiada por Almeida Garrett e Alexandre Herculano. No entanto, a biblioteca foi instalada inicialmente numa das dependências do extinto Convento da Congregação do Oratório, sito no Campo de Sant'Ana. Um dos objetivos da sua criação foi o de recolher e salvar vários cartórios dos extintos conventos nacionais.
Antes de ser ocupada pela biblioteca, o antigo Paço Arquiepiscopal teve aí instalado o Governo Civil. Na fatídica noite de 15 de abril de 1866, um pavoroso incêndio quase reduziu a cinzas este notável edifício bracarense. Só na década de trinta deste século é que a Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.) o reconstruiu, para aí ser transferida, em definitivo, a Biblioteca Pública de Braga e instalados o Arquivo Distrital de Braga e o Museu Arqueológico D. Diogo de Sousa - que ocupa o piso inferior da ala oriental, notável, sobretudo, pelo espólio de peças romanas, pré-históricas e medievais. O antigo Paço dos Arcebispos é formado por três módulos diferentes que se orientam para um pátio aberto. O mais antigo é virado a norte e remontará ao século XIV, à época do arcebispo D. Gonçalo Pereira. Virado a sul, o Largo do Paço possui uma antiga galeria realizada em 1593 pelo arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus e Castro, ala que seria modificada e acrescentada por D. Manuel de Sousa e D. Rodrigo de Moura Teles (1709). Para legitimar a sua obra, todos estes prelados deixaram o respetivo brasão. No centro desta área construída em "U" está o formoso Chafariz dos Castelos, empreendimento de D. Rodrigo de Moura Teles realizado em 1723.
A longa fachada virada para fora, no lado poente, é uma aparatosa e imponente conceção do barroco nortenho, patrocinada pelo arcebispo D. José de Bragança e realizada em 1751 - possivelmente pelo arquiteto bracarense André Soares.
No interior, são várias as dependências que se podem destacar, quer pela sua beleza formal, quer ainda pelo importante espólio bibliográfico. Assim, podemos mencionar a aprazível Sala de Leitura, com um elegante teto artesoado de madeira de castanho. Na ala nascente localiza-se a sala da primitiva Capela-mor do Paço, coberta por uma graciosa abóbada de berço de pedra. Aqui encontra-se um grandioso arcaz de madeira onde estão arquivados os maiores tesouros da biblioteca bracarense - manuscritos iluminados, cartulários vários, livros de hora e missais.
O mais amplo dos espaços do antigo Paço dos Arcebispos situa-se no rés do chão, com as suas imensas paredes de granito cobertas por um notável e comprido teto de madeira, de excelentes condições acústicas, sendo utilizado como sala de concertos para diversos eventos musicais.
Como referenciar: Biblioteca Pública de Braga in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-26 02:08:40]. Disponível na Internet: