Bill Wilson

Fundador dos Alcoólicos Anónimos, William Griffith Wilson nasceu a 26 de novembro de 1895, em East Dorset, Vermont, nos Estados Unidos da América, filho de um inveterado alcoólico que o abandonou aos dez anos e de uma mãe que o abandonou, doente, aos cuidados dos avós. Bill, mais tarde, começara ele próprio a beber, para comemorar ou para esquecer.
Casou-se em 1918 com Lois Burnham, sua parceira na futura fundação dos AL-Anon, organização destinada ao apoio às famílias de alcoólicos. Todavia, Bill Wilson, militar de carreira, não conseguiu ele próprio abandonar o álcool durante quase vinte anos, vindo a ser internado quatro vezes por esse motivo. A primeira vez ocorreu em 1933, ano em que as suas crises devido ao alcoolismo foram mais agudas. Este ano de 1933 foi uma época de penúria e mesmo miséria para os Wilson, a viverem a ressaca da Grande Depressão iniciada em 1929, que os atirara também para o desemprego. Bill, ébrio constantemente, tornou-se um destroço humano, mendigando para beber. Em 1934, porém, ano da última das suas crises, bebeu o último copo, tinha já 39 anos e uma saúde minada, para além de uma carreira destruída. O seu último internamento, em Nova Iorque, precisamente em 1934, foi de facto um momento marcante, pois sentira uma iluminação divina que o ajudaria a libertar-se dos grilhões destruidores do álcool e o conduziria à fundação dos Alcoólicos Anónimos (A.A.). Bill começou esta sua cruzada contra o álcool a partir do apoio da religião, através do Grupo de Oxford, uma sociedade evangélica em que um seu amigo estava e que antes fora também alcoólico, mas deixara através de um tratamento à base de barbitúricos e de beladona ("purga e vómito"). Bill aderiu ao Grupo e à "receita", deixando de beber. Depois de meio ano seco, Bill quase que caía outra vez na bebida, quando era já outra vez um homem de negócios. Foi um momento trágico e difícil, mas lembrara-se, no entanto, de ajudar um outro alcoólico, o que entendeu que o poderia livrar de vez do álcool.
Assim, estava-se em 10 de junho de 1935, conseguiu convencer um alcoólico intratável, o Dr. Robert Smith, a abandonar a bebida, naquilo que foi a primeira reunião dos Alcoólicos Anónimos. 10 de junho de 1935 é de facto a data oficial da criação desta obra social de grande mérito nos EUA e depois no mundo inteiro. De um pedido de 15 minutos para conversar com Smith, acabaram por estar horas a fio os dois, conseguindo ambos juntar forças para abandonar para sempre a bebida. Por isso, o princípio fundamental da filosofia dos A. A. é de que só um alcoólico pode ajudar outro alcoólico. A casa de Bill, em Clinton Street, em Brooklyn, Nova Iorque, tornou-se o local sagrado da instituição e das suas reuniões durante alguns anos, até os Wilson daí serem despejados e obrigados a viver em condições provisórias ou em quartos emprestados.
Em 1938 criou a Fundação Alcoólicos e um ano depois publicou o livro Alcoólicos Anónimos, manual de base para quem quisesse deixar a bebida, incluindo na obra os "doze passos" para esse efeito. De início, o livro não vendeu nada. Em 1940 Wilson conseguiu receber um apoio do milionário americano John Rockfeller Jr. mas de apenas trinta dólares por semana, nada mais, pois achava que o dinheiro poderia corromper os A. A. uma organização que tanto o impressionara.
Em 1953 publicou mesmo um livro com esse título, Doze Passos e Doze Tradições, que é uma autêntica carta de princípios e de organização para os Alcoólicos Anónimos. Os "doze passos" representam as doze fases para a cura do alcoolismo, tendo sido depois aplicados para outros vícios, como o tabagismo, o sexo, o jogo, as dívidas, etc.
Antes, em 1951, Lois, sua mulher, fundou a referida organização Al-Anon, projetando a sua experiência de familiar de uma ex-alcoólico para apoiar as famílias de outros viciados na bebida ou em fase de a deixar.
Bill, à medida que os A.A. ganharam expressão e notoriedade na América e fama e seguidores fora dela, tornou-se o seu símbolo e figura referencial, quase mítica. Wilson foi de facto uma figura proeminente e decisiva para muitos alcoólicos, pois defendia que, acima de tudo, a fórmula que pode operar o milagre da sobriedade é a mudança de ânimo, podendo-se encontrar forças em Deus ("que até podia ser um radiador", dizia Wilson). O alcoolismo acabou por ser considerado doença crónica e a ação dos A. A. muito serviu para que a classe médica assim reconhecesse essa dependência do álcool. Hoje são mais de 2 milhões os A. A. em mais de 150 países e muitos são os que já deixaram o álcool graça aos conselhos de Bill Wilson e às reuniões com outros viciados de forma a purgar a mente e ganhar forças e um novo ânimo. Wilson foi sempre uma figura discreta na parte final da vida, quando a sua atividade em luta contra o alcoolismo era já uma realidade social americana e ele um verdadeiro mito americano. Recusou prémios, condecorações, pagamentos por conselhos e distinções, até uma foto de capa na Time.
Não deixou nunca foi de ser fumador. Faleceu a 24 de janeiro de 1971, durante um tratamento aos pulmões em Miami, Flórida, vítima de pneumonia e de um enfisema.
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