bioeletricidade

A bioeletricidade estuda os fénomenos elétricos que se produzem nos seres vivos.
Atendendo a que na constituição de todos os átomos entram cargas elétricas positivas e negativas, e que as reações químicas implicam alterações na estrutura íntima da matéria, não é de estranhar que algum tipo de fenómeno elétrico ocorra em todos os organismos a todos os níveis, desde o molecular até ao de indivíduo.
As reações de oxidação-redução são processos de transferência de eletrões de umas partículas para outras. Na formação das moléculas de ATP (trifosfato de adenosina) ocorrem fenómenos deste tipo. Os eletrões de algumas moléculas específicas são cedidos a outras, que por sua vez os cedem a outras e assim sucessivamente. Cada uma destas etapas é o elo de uma cadeia de transporte de eletrões, uma verdadeira corrente elétrica em miniatura. Estas cadeias ocorrem, por exemplo, nas mitocôndrias e nos cloroplastas.
A estabilidade do citoplasma celular, constituído por macromoléculas que se encontram em dispersão coloidal juntamente com moléculas de menor tamanho, depende da atração e repulsão eletrostática das suas micelas.
As membranas citoplasmáticas são barreiras com permeabilidade seletiva que permitem a passagem desigual de alguns iões. Na generalidade, o ião sódio está mais concentrado no exterior das células que no seu interior, enquanto que com o ião potássio ocorre o contrário. O resultado final é que entre o interior da célula e o exterior existe uma diferença de potencial de 70 ou 80 milivóltios. Esta diferença de potencial é a base da excitabilidade que é uma propriedade geral de todos os organismos vivos. A excitabilidade é fácil de verificar em determinados tipos de célula, como, por exemplo, as nervosas e musculares, em que um estímulo pode induzir a formação de uma corrente elétrica que se desloca ao longo da membrana citoplasmática.
Estas correntes elétricas podem ser visualizadas através de oscilógrafos catódicos para isso especialmente preparados. Correntes elétricas podem ser observadas em diversos tipos de células, mesmo vegetais. Algumas espécies de peixes possuem órgãos que emitem descargas de até 500 vóltios de diferença de potencial. Essas correntes elétricas são utilizadas para capturar presas ou afugentar predadores.
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