bobo

O bobo, também conhecido como joker, coringa, jester ou simplesmente palhaço, era, originalmente, uma figura presente nas cortes reais ou dos círculos da nobreza, cuja função era fazer divertir os reis e a sua corte.
Este tipo de "palhaço" está principalmente associado à Idade Média, período em se define a sua existência histórica tal como a conhecemos hoje, além dos seus atributos. Normalmente, trajavam roupa muito colorida com diferentes padrões. O chapéu, feito também de tecido colorido e fofo, era normalmente constituído por três pontas. Em cada uma delas aparecia um guiso pendurado, tornando assim cada movimento do bobo muito mais apelativo e animado. As três pontas do chapéu representam as orelhas e a cauda de burro (indumentária usada pelos primeiros bobos).
O seu papel era de extrema importância, pois com ironia, esperteza e atrevimento, conseguiam dizer ao rei ou ao seu senhor o que o povo e todos os outros não se atreveriam a dizer-lhe diretamente, sendo assim uma fonte de informação, ainda que de forma jocosa. Eram normalmente indivíduos portadores de deficiências físicas ou então anões. Talvez por isso tais criaturas foram sempre vistas como humanos que para sempre ficaram "infantilizados" (dada a sua baixa estatura) e que mantinham a sua "traquinice" de criança, o que conferia ainda um ar mais cómico e um à-vontade no bobo para dizer tudo o que bem lhe aprouvesse.
Diferenciavam-se facilmente dos trovadores pelas suas origens mais humildes e porque, ao contrário daqueles, os bobos não eram os autores dos seus versos. Recorde-se que no período central da Idade Média (entre os séculos X e XIII), predominavam os chamados "bobos épicos" – que recitavam fragmentos de poesia narrativa e biográfica. A partir da segunda metade do século XIII, passaram a predominar os "bobos líricos", porque se dedicavam à récita de poesia dita "cortesã".
Em França e em Itália, por exemplo, grupos de bobos errantes chegaram mesmo a representar as suas personagens e os seus espetáculos em diferentes cidades de cada país. Eram os chamados espetáculos de Commedia del'Arte, itinerantes mas revestidos de alegria, som e cor, atraindo multidões e animando muitas das festas populares.
Esta figura é atualmente muito bem vista e respeitada, visto serem tidos como seres que aliam paralelamente o cómico e o drama (que muitas vezes eram as suas próprias histórias de vida). Veja-se, por exemplo, todos os quadros que Picasso pintou cuja personagem eram unicamente o Arlequim (bobo), uma figura de mimo, celebrizada em publicidade, que conota a figura com a simpatia, a ingenuidade e a bonomia.
Esta personagem tem também um papel simbólico de extrema importância. As cartas de Tarot são um exemplo disso. A carta onde aparece representada esta figura representa O Espírito, Deus, O Senhor do Universo.
Na literatura, aparece-nos muitas vezes como representante do senso comum, da honestidade, quando não dos néscios e seres mais patéticos.
Também surge como Joker (bobo ou curinga, em inglês), por exemplo, nos baralhos de cartas de jogar, adquirindo sempre uma função especial nos jogos em que entra. Mas a sua figura surge, principalmente, aliada ao universo da banda desenhada. Um dos mais famosos jokers é o inimigo mortal do super-herói Batman, outra das formas pelas quais nos aparece, mais recentemente, esta figura. Neste caso, os autores Bob Kane e Jerry Robinson resolveram transformar esta personagem honesta e bondosa, o joker, num ladrão de joias e assassino. É uma das personagens de banda desenhada com mais sucesso em todo o mundo.
Esta dupla foi, também um grande sucesso como série de televisão nos anos 60 e mais recentemente, em 1989, com o Batman realizado por Tim Burton. Foi ao ator norte-americano Jack Nicholson que o papel de Joker foi atribuído. Foi mesmo um dos filmes mais vistos nesse ano.
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