Body Art

A utilização do corpo enquanto suporte para a criação artística, pelo seu significado e expressividade, é bastante antiga. A criação do movimento Body Art na Europa e nos Estados Unidos, no final da década de 60, representa o reconhecimento da capacidade de comunicação do corpo humano, do próprio artista ou de qualquer outra pessoa, enquanto veículo portador de ideias e de atitudes, explorando de forma direta e livre de preconceitos temas como o género e a sexualidade. Foi fortemente influenciado pela cultura do corpo, da nudez, da comunicação corporal e da liberdade sexual, que marcaram os inícios dos anos 60.
As manifestações de Body Art assumiam geralmente o carácter de performances, onde os artistas se exprimiam de forma pessoal, revelando tendências muito diversas. Para alguns, a violência e agressividade, expressos em atos de auto-mutilação, que atingiam por vezes os limites de resistência do corpo, tinham o objetivo de chocar o espectador e de lhe provocar reações fortes. O artista assumia um distanciamento do próprio corpo, ultrapassando a dor que muitas das mutilações provocavam. Exemplo desta tendência são os trabalhos de Viennois Gunter, Rudolf Schwarzkogler (que morreu em 1969, durante uma performance), de Chris Burden e de Gina Pane.
Outros artistas procuravam utilizar o corpo de forma mais experimental, como o demonstram os trabalhos precursores de Yves Klein, onde o corpo era utilizado para imprimir em grandes telas, rolando sobre elas, de Vito Acconci ou de Dennis Oppenheim. Urs Luthi e Michel Journiac, tentando ultrapassar tabus sexuais, preferiam travestir-se.
A Body Art aproxima-se nos seus fundamentos, ideias e manifestações (que geralmente ultrapassam os limites físicos das galerias), da Land Art e da Performance Art e da Arte Conceptual, pois a carga ideológica normalmente prevalece sobre os aspetos materiais.
Como referenciar: Body Art in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2021. [consult. 2021-01-21 17:11:43]. Disponível na Internet: