Bolívia

Geografia
País da América do Sul. Situado no interior do continente e atravessado pela cordilheira dos Andes, possui uma área de 1 098 580 km2. Faz fronteira com o Brasil, a norte e a leste; o Paraguai, a sudeste; a Argentina, a sul; e o Chile e o Peru, a oeste. As principais cidades da Bolívia são La Paz, a capital, com 850 000 habitantes (2004), Santa Cruz (1 196 100 hab.) (2004), Cochabamba (834 900 hab.) (2004), El Alto (745 600 hab.), Oruro (216 600 hab.) e Sucre (209 000 hab.) (2004).
La Paz situa-se no planalto, a sueste do lago Titicaca, o mais alto lago navegável do globo, compartilhado com o Peru. A leste situam-se as terras baixas e 70% do território boliviano, de povoamento disperso. Para além dos contrafortes dos Andes, as florestas tropicais do norte fornecem madeira como o cedro, o mogno, o castanho e castanhas-do-pará. Só 3% da terra é arável. As restantes terras baixas são constituídas por savanas e vastas pastagens naturais, percorridas por grandes manadas de gado, muito do qual permanece selvagem. Entre o planalto e as planícies existem vales férteis, os yungas, de clima subtropical, onde os agricultores produzem diversas culturas.
Clima
Na parte mais baixa e oriental do país, o clima é tropical húmido. Na área montanhosa dos Andes, a altitude ameniza a temperatura e origina maiores diferenças nos valores da precipitação.

Economia
A economia da Bolívia baseia-se, em grande parte, na exploração dos recursos mineiros e energéticos. Entre estes recursos, os mais importantes são o gás natural, o estanho, o antimónio, o tungsténio e a prata.
A agricultura é praticada pela maior parte da população rural e tem como principais produções a cana-de-açúcar, o milho e a batata. A instabilidade política, aliada à queda das cotações de alguns minérios, contribui para as dificuldades económicas do país. Os principais parceiros comerciais da Bolívia são os EUA, o Reino Unido, o Brasil e o Peru.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas,1999), é de 1,4.

População
A Bolívia possui uma população de 8 989 046 habitantes (est. 2006), o que corresponde a uma densidade de 8 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 23,3%o e 7,53%o. A esperança média de vida é de 65,84 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,672 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,663 (2001). Estima-se que em 2025 a população seja de 11 370 000 habitantes. Em termos de composição étnica, os índios representam 55% da população total, seguindo-se-lhes os mestiços (30%) e os brancos (15%). A religião católica é praticada por cerca de 90% dos bolivianos. As línguas oficiais são o castelhano e os idiomas índios aimará e quíchua.

Arte e Cultura
A cultura boliviana resulta da mistura das culturas índia e espanhola. Transparecem nos ritos dos dias de festa, nos vestidos compridos e nos xailes coloridos das mulheres e nas danças palla-palla, imitações da invasão europeia.

História
A Bolívia fazia parte do Império Inca até à colonização espanhola no século XVI. Os espanhóis ocuparam o território, apoderaram-se das terras dos índios pela força e obrigaram-nos a trabalhar como escravos nas minas de prata. Depois da independência, em 1825, a história da Bolívia iria quase sempre ser marcada por insurreições e instabilidade. Os Bolivianos perderam mais de metade do seu território para os países vizinhos mais poderosos. Passou a ser um país continental depois de ter perdido a costa do Pacífico, na Guerra do Pacífico (1879-84), e só através de um acordo com o Peru, em 1993, garantiu acesso ao oceano Pacífico. Ficou sem os valiosos depósitos de nitratos e o porto de Antofagasta, no Pacífico, e perdeu também a região oriental das planícies do Chaco, que foi anexada pelo Paraguai na Guerra do Chaco (1932-35).
Em 1952, quando se deu a Revolução Nacional, o sufrágio universal foi introduzido pela primeira vez na história da Bolívia. Os índios beneficiaram da nacionalização da indústria de estanho, até aí nas mãos de três grandes companhias, duas delas estrangeiras, e da reforma agrária que lhes deu alguma emancipação. Mesmo assim, não chegou para mudar a face empobrecida do país. Há falta de investimento estrangeiro no país, a que se junta a corrupção e instabilidade política com sucessivos golpes de Estado.
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