Bruno Brazil

Figura da banda desenhada, o agente de nervos de aço foi criado por Louis Albert, aliás Michel Greg (argumento) e por William Vance (desenho) para a revista Tintin, tendo aparecido pela primeira vez a 17 de janeiro de 1967.
Numa atmosfera muito idêntica a James Bond e a Missão Impossível, com o seu elegante vestuário e o cabelo branco, Bruno Brazil é um sofisticado agente secreto, que usa materiais tecnicamente muito avançados, numa BD policial com uma evidente dinâmica cinematográfica. Em paralelo, os argumentos são particularmente inovadores, sobretudo nos últimos títulos, quando a "Brigada Caimão" enfrenta grandes desaires e o desaparecimento de dois elementos, "Big Boy" Lafayette e Billy Brazil, em operações em que nada correu bem. Como resultado, os leitores da revista Tintin, pouco habituados a estes desfechos, reagiram veementemente.
Foi Michel Greg, então chefe de redação da revista Tintin, que abordou William Vance no sentido de criarem histórias curtas para uma nova série. Para o desenhador, William Vance, Bruno Brazil correspondeu a um momento decisivo na sua carreira, mais a mais trabalhando com um argumentista (mas também desenhador) tão experiente, que decidiu usar o pseudónimo Louis Albert por ter outras séries em publicação na mesma revista (Comanche e Bernard Prince, ambas com Hermann, Luc Orient, com Eddy Paape, entre outras). Inicialmente, a série surgiu em cinco pequenas histórias, com Brazil como único protagonista. Em março de 1968 surgiu a primeira história de continuação, Le Requin qui Mourut Deux Fois, ainda apenas com Brazil, resultado óbvio do bom acolhimento tido junto dos leitores, que referendavam as séries mais populares. Seguiu-se Commando Caiman, uma nova fase em que Bruno Brazil apareceu a liderar um grupo de operações especiais, batizado de "Brigada Caimão", constituída por "Whip" Rafale, "Gaúcho" Morales, "Big Boy" Lafayette, Texas "Bronco", Billy Brazil (irmão de Bruno) e, mais tarde, também por Tony Nomade, uma equipa ao género de Missão Impossível.
Como pano de fundo, temos os Estados Unidos da América (EUA) dos anos 60 e 70 do século XX, decorrendo a ação em cidades normalmente indefinidas, para além de alguns países imaginários da América Latina.
Bruno Brazil foi publicado na revista Tintin até 1977 e, entre 1979 e 1983, surgiram ainda três curtas histórias na Super Tintin.
Michel Greg partiu, entretanto, para os EUA com a missão de implantar comercialmente a BD franco-belga, interrompendo deste modo o envio dos argumentos para William Vance desenhar. A última e incompleta história, La Chaine Rouge, termina ao fim da sexta página, quando Brazil e Morales recolhem um novo elemento para a "Brigada Caimão" e se preparam para uma nova missão.
A série é constituída por um total de dez episódios e nove pequenas histórias, tendo sido distinguida com o Prémio Saint Michel para a Melhor História Realista em 1971. As aventuras de Bruno Brazil foram editadas em dez álbuns pela Lombard, entre 1969 e 1977, período em que a série atingiu o seu auge.
Entre 1995 e 2002 a Lombard reeditou toda a coleção, com cores restauradas e novas capas, para além de um álbum inédito, La Fin...?!?, que recolhe as três curtas histórias publicadas na Super Tintin e as primeiras páginas da última e incompleta história da série, que nunca tinham sido editadas em livro.
Em Portugal a série foi acompanhada com entusiasmo pelos leitores da revista Tintin, onde se publicaram quase todas as histórias (entre 1968 e 1981), havendo um pequeno episódio, correspondente à fase final da série, que apareceu na efémera revista Seleções Tintin (1984).
Mantendo a política de editar álbuns das mais populares séries da revista Tintin, a Livraria Bertrand apresentou três álbuns de Bruno Brazil, entre 1975 e 1977, com o díptico A Noite dos Chacais e Sarabanda em Sacramento, para além de Batalha no Arrozal.
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