Bulé

Na antiga Grécia, a Bulé, uma assembleia encarregada de elaborar projetos de lei, era também chamada Conselho dos Quinhentos, por compreender cinquenta membros (pritania) de cada tribo, que eram presidentes deste Conselho (pritaneus) durante cerca de trinta e seis dias por ano. Este organismo tinha como principais incumbências, para além de fazer as leis para a Assembleia, receber as embaixadas e dirigir as celebrações do culto. Avaliava também aqueles que tinham cometido crimes muito graves, elaborando os processos respetivos e submetendo-os à Eclésia ou ao tribunal; convocava as Assembleias; determinava as suas ordens de trabalho; geria a economia do Estado; e verificava a evolução da educação dos efebos (jovens entre os dezoito e os vinte anos).
O chefe supremo da Bulé era o epístata, eleito diariamente de entre os pritaneus, e que, sendo a pessoa com o cargo mais elevado, guardava o selo do Estado assim como as chaves dos Arquivos e do Tesouro. Por volta do século V foram-lhe adstritas as funções de zelo do património público que até a essa altura eram desempenhadas pelo Areópago, uma assembleia de anciãos eminentes.
A aprovação da eleição dos arcontes e dos buleutas era emitida pela Bulé, após a avaliação das suas qualidades morais e direitos cívicos - a este direito dava-se o nome de docimasia. Os atenienses não podiam ser buleutas mais de duas vezes durante a sua vida e quando exerciam essa função recebiam cinco óbolos diários (ou um dracma – equivalente a seis óbolos - se fossem pritaneus). Para se ser buleuta era necessário ter mais de trinta anos: cada tribo elegia os seus buleutas à sorte, por meio de favas brancas e negras que se faziam corresponder a nomes inscritos numa pequena tábua, que, posteriormente, eram sujeitos a um exame feito pela Bulé.
Como referenciar: Bulé in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-22 03:47:53]. Disponível na Internet: