caiaque

Utilizado na pesca e na caça às focas e de aves marinhas, ou como simples transporte, o caiaque, ou kayak (que significa bote de homens), é a embarcação artesanal, por excelência, dos esquimós, também chamados de Inuit. Esta pequena embarcação leve e rápida, com a parte da frente em bico, é construída a partir da carcaça ou "esqueleto" de madeira ou osso de rena revestido de peles de foca, cozidas e esticadas, utilizando alguns dos poucos materiais que o esquimó consegue aproveitar de uma natureza pouco generosa, onde os recursos são muito escassos. A madeira da carcaça é aproveitada dos ramos de bétula e as peles de foca passam por um processo de preparação e curtimenta, antes de serem impregnadas de gordura animal para melhor impermeabilização. A existência de uma "saia", também em pele de foca, ajustada à cintura permite que o caiaque se vire ao contrário sem se afundar, criando um equilíbrio especialmente útil na caça e na pesca. No ambiente vasto e inóspito das terras do Alasca, Gronelândia ou Labrador, o caiaque é sobretudo utilizado na pesca e na caça, já que para o transporte de carga os esquimós preferem utilizar o umiaque, embarcação maior e mais pesada. Embora mais frágil, o caiaque é quase impossível de afundar, sobretudo quando hermeticamente ajustado à cintura do remador.
Este modelo de embarcação foi introduzido pela primeira vez na Europa pelo escocês John MacGregor, por volta de 1891, que construiu nos Estados Unidos da América, durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), uma canoa de competição, seguindo a tradição dos caiaques, mas para fazer expedições em rios e lagos. Em 1865 viajou para Londres (Inglaterra), onde fundou o Royal Canoe Club. Em apenas três anos esta agremiação já tinha 300 praticantes inscritos e começaram a aparecer mais clubes e provas. Entretanto, na Europa, a embarcação passou a ser coberta com uma espécie de lona.
A partir de então foi adaptado para a competição desportiva ou para mero lazer, feito de borracha sintética, fibra de vidro ou tela impermeabilizada, permitindo as descidas arriscadas e acidentadas dos rápidos e das pequenas cascatas dos rios, sendo também propício à navegação em correntes impetuosas. Em 1924 foi criada a Internationale Repräsentantshaft für Kanusport, que em 1946 passou a Federação Internacional de Canoagem.
Atualmente, as provas de caiaque fazem parte do calendário olímpico em vários formatos: K2 (2 remadores) nas distâncias de 500 e 1000 metros, K1 em 500 e 1000 metros, K4 em 1000 metros, todos eles provas masculinas. Para mulheres há as provas de K1, K2 e K4, sempre com a distância de 500 metros.
Entretanto, há também provas oficiais de K1 em águas agitadas, com uma extensão mínima de três quilómetros, e de slalom, onde têm de ser torneadas umas estacas. Esta última variante integra desde 1992, em Barcelona, os Jogos Olímpicos depois de uma primeira experiência em 1972, em Munique.
Os caiaques têm um comprimento que varia entre os quatro metros do K1 e os onze do K4 e pesos que vão desde os nove quilos do kayak individual de slalom.
Os caiaques mais rápidos (K1 e K2) são feitos de madeira envernizada, enquanto os de slalom são fabricadas em fibra de vidro.
Como referenciar: Porto Editora – caiaque na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-21 11:50:50]. Disponível em