Calheta (Açores)


Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, Calheta localiza-se na ilha de São Jorge, ilha pertencente ao grupo central do arquipélago dos Açores, e faz parte da Região Autónoma dos Açores (RAA), que é simultaneamente NUT I, II e III.
O concelho é limitado a oeste por Velas, e está rodeado pelo oceano Atlântico, que o separa a norte do concelho de Santa Cruz da Graciosa, a sudoeste do concelho da Madalena e a leste de Angra do Heroísmo. Ocupa uma superfície de 126,5 km2, distribuída por cinco freguesias: Calheta, Norte Pequeno, Topo (Nossa Senhora do Rosário), Ribeira Seca e Santo Antão. Em 2005, o concelho apresentava 3976 habitantes.
O clima nesta região é ameno e húmido, e temperado marítimo, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras do Meio, de São Tomé e do Cavalete. O relevo é montanhoso, predominantemente constituído por basaltos e cascalheira, nomeadamente nos seguintes locais: ilhéu do Topo, Fajã dos Cubres, Fajã do Belo, Fajã da Caldeira, Fajã dos Vimes, Pico da Calheta (499 m), Pico do Paul (580 m), Pico dos Frades (942 m) e Pico dos Fachos (857 m).

História e Monumentos
A ilha de S. Jorge foi descoberta em meados do século XV, iniciando-se o seu povoamento entre 1439 e 1470. Calheta foi elevada a vila e a concelho em 1534, por D. João III. A economia do concelho estava integrada na ilha e baseava-se no cultivo da vinha e do trigo e na exportação de pastel e urzelina para as tinturarias da Flandres e da Europa, conhecendo nessa altura algum desenvolvimento económico. A ocupação espanhola e o facto de não oferecer bons portos de abrigo levaram a que a ilha de S. Jorge não prosperasse como as ilhas vizinhas. Apesar disso, sofreu vários ataques de corsários durante os séculos de XVI a XVIII, incluindo dos famosos corsários conde Essex e Du-Gnay-Trouin. Além disso, nesse período a população esteve sujeita a várias calamidades, tais como sismos, erupções vulcânicas e maus anos de colheitas, que acabaram por originar um ainda maior isolamento da ilha.
Já no século XX, a construção do aeroporto e a reabilitação dos portos de Calheta e Velas promoveram o desenvolvimento económico da região.
Do património arquitetónico destaca-se a igreja paroquial, várias vezes reconstruída desde 1761, que possui as capelas de Nossa Senhora dos Milagres (1782), de Nossa Senhora do Livramento de São Sebastião e do Senhor Santo Cristo (1833). É de realçar também a Igreja de Santa Bárbara, que data do século XVIII, com o seu interior esculpido e com pinturas.

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo, celebradas praticamente em todas as ilhas. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Estas festas incluem as touradas à corda, uma tradição importada da vizinha Terceira. São também de destacar a festa a Santa Catarina, padroeira da vila, a 15 de novembro, e a romaria de Santo Cristo, no primeiro domingo de setembro.
A nível de artesanato, podem encontrar-se na ilha rendas, colchas de tear ou de ponto alto feitas de lã e muito coloridas, e a viola de arame, usada nas festas da ilha.

Economia
O setor de atividade com mais peso na economia concelhia é o primário.
Calheta é um concelho dedicado essencialmente à agricultura (setor primário), em que a área agrícola ocupa 31,6% da área do concelho. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, a horta familiar, as culturas permanentes de batata e da vinha, as culturas temporárias de cereais para grão, os prados e as pastagens permanentes e os prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies de criação de gado, havendo também lugar para a criação de aves.
A região apresenta uma baixa densidade florestal (7,9%), que corresponde a uma área florestal de apenas 242 hectares, salientando-se as seguintes espécies: cedros, zimbros e loureiros.
A pesca da albacora e do bonito constitui também uma importante atividade do concelho.
Quanto ao setor secundário, destacam-se as indústrias de laticínios e de conserva de peixe. O queijo de S. Jorge, fabricado na ilha, é exportado para a Europa.
O setor terciário está bem representado nas principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar no concelho e por toda a ilha, e que consistem na pesca desportiva, no mergulho, na observação submarina, na caça, nas caminhadas e nos passeios.
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