Caminha


Aspetos Geográficos
O concelho de Caminha, do distrito de Viana do Castelo, localiza-se na região Norte (NUT II), no Minho-Lima (NUT III), e fica situado junto ao estuário do rio Minho, que o separa de Espanha. Apresenta-se envolvido por este rio e por um seu afluente, o rio Coura. Fica protegido por dois montes: na outra margem do rio, na Galiza, o monte de Santa Tecla; e no lado português, o de Santo Antão. É limitado pelos seguintes concelhos: a norte e nordeste pelo de Vila Nova de Cerveira; a este pelo de Ponte do Lima e a sul pelo de Viana do Castelo, e ainda a oeste pelo oceano Atlântico.
O concelho estende-se por um área de aproximadamente 137,4 km2, dividido em 20 freguesias: Âncora, Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de S. João, Argela, Azevedo, Cristelo, Caminha, Dem, Gondar, Lanhelas, Moledo, Orbacém, Riba de Âncora, Venade, Seixas, Vila Praia de Âncora, Vilar de Mouros, Vilarelho e Vile. Em 2005, o concelho apresentava 16 939 habitantes.
O natural ou habitante de Caminha denomina-se caminhense.
O potencial ambiental e paisagístico deste concelho inclui o pinhal do Camarido, de origem medieval; a extensa praia de Moledo; o monte de Santo Antão; o moinho da Lira; o açude do Pincho e os vários moinhos que ainda giram nos afluentes do rio Coura.

História e Monumentos
Caminha é tida como burgo secular, mais velho que a Pátria, rico em história, contos e lendas.
Nos primórdios da monarquia, Caminha já se apresentava como um importante núcleo piscatório e populacional. A 24 de julho de 1284, D. Dinis concedeu-lhe foral, mandando aumentar e reparar as muralhas. Aliás, como zona de fronteira, esta antiga povoação esteve envolvida nas várias contendas entre Portugal e Espanha, das quais resultaram as várias reconstruções das suas muralhas. Em 1512, D. Manuel I confirmou o velho foral de D. Dinis e mandou reconstruir uma fortaleza na foz do rio Minho, chamada Forte da Ínsua, onde ainda se podem encontrar, em ruínas, um convento, a igreja e algumas casas, tudo rodeado pela fortaleza.
Em Caminha existem muitos outros monumentos, dos quais se destacam o Baluarte de Santo António, parte da antiga fortificação da vila; as muralhas, por muitas vezes reconstruídas; a Igreja Matriz; a Torre do Relógio, do século XV; o Chafariz da praça, datado do século XVI; a Casa dos Pitas, do século XV e a Igreja da Misericórdia, do século XVI. A Igreja Matriz é considerada como a preciosidade artística de Caminha e como um dos monumentos mais notáveis do Norte de Portugal. Um dos pormenores da cachorrada da igreja adquire localmente uma interpretação original: "um homem de nádegas voltadas para os Galegos".

Tradições, Lendas e Curiosidades
A tradição afirma-se nas festas e nas romarias do concelho: em junho o Corpo de Deus e os Santos Populares; no segundo domingo de agosto as Festas Concelhias, dedicadas à Santa Rita de Cássia; ainda em agosto a festa da Senhora da Agonia; no dia 1 de novembro a Feira dos Santos e em dezembro a romaria do Senhor dos Mareantes.
O feriado municipal é na segunda-feira a seguir à Páscoa.
O artesanato está presente nas rendas e nos bordados, na fiação de lã, nos trabalhos em linho, na tecelagem, na cestaria em vime, na talha, nos palmitos, na arte de trabalhar o cobre, na pirotecnia, no fabrico de redes e nos barcos de pesca.

Economia
A geomorfologia desta região apresenta um desenho bastante diversificado, marcado por um relevo montanhoso, pelo vale do rio Minho e pelas veigas férteis dos rios Coura e Âncora. Esta diversidade reflete-se no clima e nos solos, obrigando os seus habitantes a adaptarem-se e a moldarem a paisagem, dividindo os terrenos por uma densa população rural e plantando pinhais nas areias da costa, por forma a proteger as suas culturas.
Na maioria das freguesias predomina uma população envelhecida que sofreu com a emigração, resultando em fracas densidades populacionais. Constituem exceção a este esvaziamento Moledo e Vila Praia de Âncora que, através do desenvolvimento do turismo (quer o de veraneio à beira-mar, quer o turismo rural), se têm constituído como focos de desenvolvimento económico, tornando-se cada vez mais atrativos para a fixação da população. Neste contexto, aparece-nos ainda Vilar de Mouros, que aposta na cultura e no turismo, afirmando-se cada vez mais pelos seus festivais de música, que atraem grande número de visitantes, permitindo o desenvolvimento de infraestruturas e o aumento populacional.
A atividade piscatória assume ainda um importante papel no dia a dia dos caminhenses, desde sempre ligados ao rio.
Como referenciar: Caminha in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-03-30 10:04:28]. Disponível na Internet: