Campinos do Ribatejo

Os cavalos e os touros transformaram a paisagem e a cultura do Ribatejo e criaram a personagem singular do campino, guardião da lezíria e dos animais que a percorrem. Quando jovem e aprendiz, recebe o nome de "anujeiro" e dedica-se à criação dos touros, instigando-os a demonstrarem a sua valentia na Praça de Touros, local último do seu destino e glória.

A tarefa que opõe o fiel campino ao imprevisível touro é árdua e a experiência é construída ao longo de muitos anos de sabedoria tradicional. Hoje, os campinos já não dormem junto ao gado, como noutros tempos, mas o duelo entre o touro e o homem, que começa muito antes da arena, faz do campino a sentinela indissociável da paisagem ribatejana.
Altivo sobre o seu cavalo, com a vara na mão, atinge uma dimensão mítica com o seu vestuário característico: jaqueta e calção escuros, um gorro ou barrete verde, colete encarnado, meias brancas rendilhadas e sapatos com saltos de prateleira. Ao peito, exibe com orgulho uma simples chapa metálica com o ferro ou brasão do criador, o "ganadero", a quem dedica o amor do seu trabalho e toda uma vida.

Este último cavaleiro nómada da planície é um genuíno exemplar do meio ao qual pertence e a mesma agilidade, destreza e elegância é observada frente a frente, olhos nos olhos, tanto no dia a dia como na dança típica da região, o fandango.
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