Campo Maior


Aspetos Geográficos
O concelho de Campo Maior, do distrito de Portalegre, localiza-se na Região do Alentejo (NUT II) e Alto Alentejo (NUT III), ocupa uma área de 247,1 km2 e abrange três freguesias: Nossa Senhora da Expectação, Nossa Senhora da Graça dos Degolados e S. João Batista.
O concelho encontra-se limitado a oeste pelos concelhos de Arronches e Elvas, a sudoeste por Elvas e a este e a norte por Espanha. O concelho apresentava, em 2005, um total de 8319 habitantes.
O natural ou habitante de Campo Maior denomina-se campomaiorense.
Possui um clima marcadamente mediterrânico, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação ronda os 500 mm entre os meses de outubro e março e os 170 mm no semestre mais seco.
Embora o edificado se estenda por uma encosta, esta constitui uma pequena elevação, que não atinge os 300 metros de altitude. Na generalidade, a morfologia do concelho é suave, destacando-se como elevação de maior altitude somente o monte da Atalaia da Contenda, com 337 metros.
O concelho é banhado pelo rio Caia, que possui uma barragem e uma albufeira, possuindo ainda a ribeira de Abrilongo e rio Xévora.

História e Monumentos
As terras deste concelho só foram integradas no território português após o Tratado de Alcanices, celebrado em setembro de 1297. Em 1299, D. Dinis elevou-as à categoria de vila.
A origem toponímica de Campo Maior poderá estar relacionada três famílias que, vivendo dispersas no campo, resolveram agrupar-se num local amplo para uma maior proteção, proferindo: "Aqui o campo é maior". Esta versão justifica a simbologia das armas da sua nova morada, com três cabeças representando cada uma um dos três chefes de família. Segundo outras fontes, a origem do nome da vila pode ser atribuída a uma povoação romana aí existente, derivando a toponímia de Campus Major.
Ao nível do património monumental, destaca-se o Castelo de Campo Maior, da época medieval - 1310 - com adaptações posteriores. Foi reedificado por D. Dinis e modificado no reinado de D. João III e do seu sucessor, que fizeram obras de adaptação e alargamento. Em 1641, começou a construção das fortificações modernas. Da época medieval subsistem alguns panos de muralha e a torre norte com matacães. Da cintura fortificada do século XVII, adaptada por Nicolau de Langres, restam ainda baluartes, portas, quartéis e revelins. A torre ocidental tem uma moldura manuelina.
Em Ouguela, no alto de uma colina com 250 metros de altitude, subsiste ainda um castelo, que foi modificado e modernizado, devido à sua importância como fortaleza fronteiriça. As muralhas delimitam mas não contêm a povoação medieval, que extravasa pelas encostas, sendo de referir que a Igreja de Nossa Senhora da Graça está encravada na muralha. De referir, também, a Capela dos Ossos, que foi feita em memória de todos aqueles que morreram aquando da explosão do paiol do castelo, em 16 de setembro de 1732, de modo que os ossos de cerca de 800 cadáveres humanos, ainda com pele ressequida, cobrem as paredes laterais e o teto.
A Igreja de S. João Batista, concluída em 1747, foi construída sobre as ruínas de uma igreja destruída na explosão de 1732, sendo a sua fachada toda em mármore. Nela abrem-se duas janelas gradeadas e veem-se esculpidas as cruzes de Malta. Possui torres sineiras, que se sobrepõem nas ilhargas da fachada principal, cada uma com quatro olhais, além de cataventos em ferro forjado. O interior é todo revestido a mármore de duas cores em forma octogonal com cobertura de madeira. De referir também o Convento de Santo António, fundado em 1493, cuja capela é de uma só nave abobadada, sendo o altar todo em mármore de Estremoz, com várias cores, e dourado. Junto ao altar-mor está exposta uma pedra-de-armas. O atual altar do Santíssimo é de mármore.

Tradições, Lendas e Curiosidades
São muitas as manifestações populares e culturais no concelho, sendo de destacar as festas do povo, para as quais toda a vila trabalha durante o ano, fazendo belas flores de papel para decorar as ruas, que ficam repletas de cor, com milhares de flores; a Romaria de S. Joãozinho, em junho, é uma festa realizada pela Irmandade de São Tiago, com missa e procissão campal; a festa de Santa Maria de agosto, a 15 de agosto, e a Romaria de Nossa Senhora de Enxara, realizada na Páscoa e que é uma festa durante a qual se acampa três dias, havendo missa campal, procissão, tourada e baile.
No artesanato são de referir os trabalhos de cortiça e madeira.
Como instalações culturais, destaca-se o Museu do Café, inaugurado a 21 de dezembro de 1994, no Monte das Argamassas. Neste museu pode conhecer-se não só a história do café, como também a história da empresa de café de Campo Maior. Está exposto um vasto espólio de qualidade, que comporta várias coleções de objetos de diversas origens.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas aos setores primário, na área da agricultura, e secundário, na indústria da torrefação de café.
Na agricultura, ainda com uma grande importância na economia concelhia, predominam os cultivos de cereais para grão, prados temporários e culturas forrageiras, culturas industriais, pousio, olival, prados e pastagens permanentes. A agropecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de aves, ovinos e bovinos. Cerca de 9% (206 ha) do seu território está coberto de floresta.
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