Cândido Lusitano

Padre oratoriano antigongórico que abriu caminho ao Neoclassicismo, nascido em 1719 e falecido em 1773, foi um dos teóricos mais esclarecidos do movimento estético-literário da Arcádia. Fundamentou as suas doutrinas em várias fontes: os clássicos antigos (Horácio, Aristóteles e Longino); o humanismo quinhentista (autores portugueses e também Castelvetro e Robortello) e autores contemporâneos (Boileau, Voltaire e Pope). Foi preceptista gramatical e teorizou sobre o estilo. Contribuiu para a revalidação das letras nacionais com uma série de traduções: Arte poética, Horácio; Édipo, Sófocles; Medeia, Eurípides e Séneca; Hécuba; Fenícias; Hércules Furioso; Ifigénia em Ávlide; Ifigénia em Távride, Eurípides; Eneida, Vírgilio; Atália, Racine e pôs igualmente em vernáculo Sannazaro e Maffei. Como membro da Arcádia Lusitana ou Olissiponense tomou o nome de Cândido Lusitano e adotou, por vezes, uma postura ideológica crítica em relação a esta como, por exemplo, quanto ao uso da mitologia. Cândido Lusitano admite que a poesia possa consistir numa reprodução meramente natural, isto é, descritiva e particularizante de uma coisa verdadeira, embora julgue ser mais poética a imitação fantástica, isto é, a captação imaginativa daquilo que é mais verosímil do que verdadeiro, e mais universal do que particular. Por outro lado, assevera, em oposição explícita a Verney, que o fim da poesia não consiste apenas no deleite, mas também, e conexamente, na utilidade moral.
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