capitais permanentes

Para o desenvolvimento da sua atividade, seja no âmbito de operações de investimento ou exploração normal, as empresas têm necessidade de proceder ao financiamento dessas atividades, para o que dispõem de dois meios genéricos fundamentais: recurso a capitais próprios e recurso a capitais alheios. Dentro de cada um destes grupos fundamentais existem instrumentos específicos, com características diferentes, nomeadamente no que concerne à necessidade ou não de reembolso e ao horizonte temporal desse mesmo reembolso.
Relativamente aos capitais próprios, a sua natureza faz com que não sejam por norma reembolsáveis aos responsáveis pela sua entrada na empresa, precisamente os detentores do seu capital. Assim, os capitais próprios, qualquer que seja a forma que assumam, têm por regra um carácter de permanência a longo prazo na empresa.
Quanto aos capitais alheios, são caracterizados desde logo pelo facto de terem de ser reembolsados às entidades financiadoras por eles responsáveis. Por outro lado, o referido reembolso pode diferir bastante entre cada instrumento específico no que se refere ao período temporal em que terá de ser efetuado. Esta situação faz com que se possa dividir os capitais alheios em capitais alheios de curto prazo (normalmente considerados aqueles que têm de ser reembolsados num período de tempo inferior a um ano) e capitais alheios de médio e longo prazo (precisamente aqueles que podem ser reembolsados num horizonte temporal mais alargado, por norma igual ou superior a um ano). O conceito de capitais permanentes não é mais do que o valor dos capitais com os quais uma empresa se financia que têm carácter de médio/longo prazo, ou seja, ou não terão de ser reembolsados (caso dos capitais próprios) ou então poderão ser reembolsados num período de tempo alargado (caso dos capitais alheios de médio e longo prazo). Logo, os capitais permanentes de uma empresa correspondem precisamente à soma dos capitais próprios com os capitais alheios num determinado momento. Em termos de balanço, os capitais permanentes correspondem à soma do capital próprio com o passivo de médio e longo prazo.
O conceito de capitais permanentes assume relevância a nível da gestão financeira, na medida em que permitem analisar a forma como uma empresa está, num determinado momento, a proceder ao financiamento dos seus ativos de médio e longo prazo, ou seja, aqueles que previsivelmente permanecerão por um período de tempo alargado (a ano ou mais), e que em termos de balanço correspondem grosso modo à rubrica do ativo imobilizado. Assim, considera-se que a estrutura financeira de uma empresa pode ser parcialmente avaliada através da relação entre o valor dos capitais permanentes e o valor do imobilizado num determinado momento. Se o valor dos capitais permanentes superar o valor do imobilizado, a performance da empresa é a este nível positiva, na medida em que essa situação traduz uma atitude de adequação entre o horizonte temporal dos bens que vão dar rendimento à empresa e da forma como são financiados. Existe, aliás, um rácio denominado rácio de cobertura do imobilizado por capitais permanentes que corresponde ao quociente entre o valor dos capitais permanentes e o valor do Imobilizado num determinado momento e que, de acordo com o raciocínio anterior, deverá assumir um valor superior à unidade para se considerar a situação da empresa positiva.

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