Carbónico

Intervalo de tempo geológico compreendido entre os períodos Devónico e Pérmico (-360 a -268 milhões de anos), sendo, portanto, o quinto período da Era Paleozoica.
As rochas formadas durante este período constituem o chamado Sistema Carbónico, identificado por William Daniel Conybeare e John Phillips em 1822, e o seu nome é devido à presença de leitos de carvão nos estratos relativos a esta época situados na Inglaterra. Na América do Norte este período é muitas vezes representado pelos períodos Mississípico e Pensilvânico, assim chamados devido ao facto de os estratos serem mais desenvolvidos nestes dois estados (Mississípi e Pensilvânia), e que correspondem à divisão europeia em Carbónico Inferior e Carbónico Superior.
A distribuição das massas terrestres continuou em evolução neste período: o movimento das placas tectónicas aproximou-as e reuniu-as nas zonas equatoriais e na metade sul do globo. O gigantesco continente de Gondwana, constituído pelo que hoje é África, América do Sul, Índia, Médio Oriente, Austrália e Antártida, ocupava grande parte do Hemisfério Sul. Anteriormente a Laurásia, constituída pela atual América do Norte, Gronelândia e norte da Europa, avançou em direção a Gondwana colidindo com esta no final do Carbónico e fechando o mar que as separava. A Sibéria e a China, que neste período eram continentes distintos, mantiveram-se nas altas latitudes do Hemisfério Norte. Climatericamente, deu-se uma enorme e prolongada glaciação continental em Gondwana, com centro no sul de África. Com a diminuição da quantidade de gelo o clima tornou-se mais temperado, formaram-se muitos pântanos e desenvolveram-se florestas em todas as zonas continentais, sendo o enorme crescimento de ambos a principal característica do Carbónico. Os depósitos de carvão originários deste período são devidos à deposição de detritos florestais. Podem ser encontrados em muitas zonas do mundo - América do Norte, Europa, África, China e Coreia. O imenso volume de carbono que existe nos carvões é proveniente da atmosfera. O processo de formação do carvão durou cerca de 40 milhões de anos e em nenhum outro período se verificou uma tão grande transformação de matéria vegetal em carvão, tendo terminado devido à elevação das massas terrestres, o que levou a que o clima se tornasse árido.
Em paralelo ao grande desenvolvimento da flora dá-se também uma evolução da fauna, principalmente dos vertebrados: apareceram os primeiros pulmonados, os anfíbios espalharam-se e diversificaram-se e apareceram os répteis que se adaptaram rapidamente aos diferentes habitats.
O período Carbónico foi, portanto, marcado por grandes alterações na geografia do mundo e pelos avanços significativos das formas de vida, que se adaptaram a uma extensa gama climatérica, desde o periglacial ao quente e árido, passando pelo húmido equatorial.
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