Carlos Botelho

Autor de banda desenhada (BD), decorador, desenhador, ilustrador e pintor português, Carlos António Teixeira Bastos Nunes Botelho nasceu a 18 de setembro de 1899, em Lisboa, e faleceu a 18 de agosto de 1982, na mesma cidade.
Aos 30 anos ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tendo saído um ano depois, frustrado com um ensino marcadamente clássico, rumando para França, num ambiente muito mais propício ao contacto com a vanguarda artística da época. Em Paris estudou nas Academias de Chaumière e de Colarossi. De regresso a Portugal, expôs no Salão dos Independentes (1930).
Esteve ligado ao ABCzinho, onde publicou banda desenhada (1924-1929) e foi presença assídua no suplemento "Sempre Fixe" do Diário de Lisboa, onde semanalmente apresentou uma página de BD, os "Ecos da Semana". Viu publicadas 1177 páginas de BD dos "Ecos", em que abordava assuntos, nacionais ou estrangeiros que tinham sido referência na semana anterior. Como se calcula, várias foram as páginas censuradas, que discretamente assinalou desenhando um mocho, tendo os "Ecos da Semana" sido publicados durante 22 anos e meio, entre 17 de maio de 1928 e 14 de dezembro de 1950. A BD produzida por Carlos Botelho também surgiu noutros periódicos, como as revistas Turismo (1929), Notícias Ilustrado (1930), Crónica Cinematográfica (1930) e Eva (1938).
Fez também caricatura, ilustração para livros, para a publicidade e para a imprensa periódica (O Domingo Ilustrado, Ilustração, ABC, O Século e Tic Tac).
No célebre filme A Canção de Lisboa (1933), "o primeiro filme português feito por portugueses" foi assistente de realização de Cottinelli Telmo.
Ao serviço do SNI (Secretariado Nacional de Informação), o braço propagandístico do regime vigente, sob a chefia de António Ferro, foi enviado em missões oficiais a diferentes países, como responsável pela conceção dos pavilhões de Portugal presentes em diferentes exposições internacionais, o que permitiu a Carlos Botelho contactar com artistas de diferentes nacionalidades.
Como notável pintor que foi, participou em diversas exposições e salões em Portugal e no exterior (Paris, Londres, Veneza...), realçando-se que na Bienal de Arte Moderna de São Paulo (Brasil) foi distinguido por duas vezes: na primeira edição com o Prémio Portugueses de São Paulo e Rio e na terceira edição com uma Menção Honrosa.
Na avenida Infante Santo, em Lisboa, encontra-se uma das suas mais representativas obras, um painel de azulejos que retrata casas típicas. Aliás, foi no retrato da sua Lisboa natal que, por ventura, o seu trabalho mais se distinguiu.
Os seus quadros encontram-se representados nos principais museus nacionais, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Brasil), no Museu de São Francisco (Estados Unidos da América), para além de diversas coleções particulares em Portugal e no estrangeiro.
O pintor que imortalizou Lisboa nas suas telas, com atelier na Costa do Castelo, era uma referência incontornável do modernismo em Portugal ao nível das artes plásticas.
A Câmara Municipal de Lisboa atribui, desde 1989, o Prémio Municipal "Carlos Botelho" de Pintura, para a melhor Pintura sobre a cidade.
No centenário do seu nascimento (1999) realizou-se uma importante exposição retrospetiva de Pintura na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em Lisboa. Arpad Szenes e Vieira da Silva são dois nomes maiores da pintura europeia que Botelho conheceu na década de 30 do século XX.
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