Carlos Lyra

Cantor, compositor e guitarrista brasileiro, Carlos Eduardo Lyra Barbosa nasceu a 11 de maio de 1939, no Rio de Janeiro, no Brasil. Nascido no seio de uma família de músicos, Carlos teve uma infância marcada pela música e, já nessa época, entretinha-se a brincar com um pequeno piano e uma gaita. Mais tarde, durante a adolescência, já mostrava algumas das suas aptidões, de guitarra ao colo, na escola. Não espantou portanto que tenha trocado o curso de Arquitetura, alguns anos depois, pela profissionalização da carreira musical. As primeiras composições, ainda na década de 50, bebiam no samba-canção, mas a bossa nova seria a sua grande paixão. "Menina", canção gravada por Silvinha Telles em 1956, e "Criticando", registada pelo agrupamento Os Cariocas, são as primeiras composições conhecidas de Carlos Lyra. Nelas, era notória uma certa influência do jazz e os sinais da bossa nova. A sua identidade musical revelou-se com outra transparência no primeiro álbum, Carlos Lyra - Bossa Nova, publicado em 1959. Reconhecido nos circuitos de elite da música brasileira, o título incluía uma das suas mais prestigiadas composições, a belíssima "Maria Ninguém". A verve de Carlos Lyra, por esta altura recorrentemente associado ao movimento precursor da bossa nova, expõe-se com renovada grandiosidade no segundo trabalho do músico, lançado em 1961, com outras pérolas da sua carreira, como "Minha Namorada", "Você e Eu" e "Coisa Mais Linda". Ainda nesse ano, é um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da União Nacional de Estudantes, um instituto para a promoção da cultura junto das classes mais desfavorecidas. A politização da arte de Carlos Lyra fazia-se indisfarçável. A inconstância política do Brasil na época e a arbitrariedade do regime empurraram-no para o lote dos dissidentes, em contraste evidente com a bossa nova menos política de João Gilberto ou Tom Jobim, os outros polos emergentes da bossa nova. A agravar o contexto, a gravação de "Canção do Subdesenvolvido", inclusa no álbum (3.º) de 1963, era uma afronta mais assumida aos conservadores. O golpe militar de 1964 levou-o à inevitabilidade do exílio. Esteve fora do Brasil até 1971. Tocou com Stan Getz, nos Estados Unidos da América, e gravou dois discos no México. De regresso à pátria, regravou alguns dos seus clássicos antigos, não conhecendo, todavia, o fulgor de outros compositores do movimento bossa-novista. Volta a criar polémica com Herói do Medo (1975), registo contestatário da letargia ideológica da população brasileira. O disco seria censurado e Carlos Lyra partiria para um segundo exílio. No final da década de 70, ele era um compositor respeitado nos Estados Unidos da América, particularmente na esfera restrita do jazz de Los Angeles. As atuações sucediam-se, com êxito evidente. O segundo retorno ao Brasil acontece em 1976, com bom acolhimento dos públicos brasileiros, finalmente a descobrirem o autor de belas melodias que todos trauteavam mas de que poucos conheciam a origem. O espetáculo 25 Anos de Bossa Nova, levado aos palcos em 1984, tem um sucesso estrondoso e é registado em disco, três anos depois.

Considerado o "parceirinho cem por cento" de Vinicius de Moraes (como se escuta no clássico "Samba da Bênção"), Carlos Lyra comemorou cinquenta anos de carreira em 2006, com a edição de um pacote de dois livros e um CD, com a descrição escrita de um método para aprender a tocar guitarra, fazendo lembrar os seus tempos de professor em que, ao lado de Roberto Menescal, era um dos mais requisitados lecionadores de guitarra clássica do Brasil, e um CD com alguns dos seus sucessos, nas versões originais.

Discografia 1959, Bossa Nova/Carlos Lyra
1961, Carlos Lyra
1962, Bossa Nova Mesmo
1963, Depois do Carnaval - O Sambalanço de Carlos Lyra
1964, Pobre Menina Rica
1965, The Sound of Ipanema, com Paulo Winter
1967, Carlos Lyra
1969, Saravá
1971, ...E no Entanto é Preciso Cantar
1972, Eu & Elas
1974, Carlos Lyra
1975, Herói do Medo
1987, 25 Anos de Bossa Nova
1993, Bossa Lyra
1994, Carioca de Algema
1994, Songbook
1998, Best Selection from 1959 to 1963
1999, Vivendo Vinicius ao Vivo
2003, Coisa Mais Linda - As Canções de Carlos Lyra
2004, Sambalanço
2006, Carlos Lyra - 50 Anos de Música

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