Casa das Varandas ou da Misericórdia

O edifício da Misericórdia de Viana do Castelo é uma verdadeira obra-prima da arquitetura civil do século XVI no nosso país. A sua aparatosa e cenográfica fachada principal é uma obra maneirista, eivada de referências eruditas europeias e interpretada por artistas locais. Nela é visível a influência exuberante de ornatos inspirados em gravuras flamengas e de conceções arquitetónicas retiradas da tratadística italiana.
A proposta desta conceção espacial foi realizada pelo provedor da Misericórdia, João Jácomo de Luna, aprovada em reunião da irmandade no ano de 1587. No ano seguinte, em 1588, a obra arrancava coordenada por Fernão Dias, mestre-pedreiro do Cruzeiro de Vila do Conde. A Casa da Misericórdia seria alvo de acrescentos no século XVIII, campanha efetuada por Manuel Pinto de Vilalobos. Formada por três pisos, a fachada principal é delimitada por cunhais rusticados, num dos quais se incorpora um relógio de sol setecentista. O andar térreo abre-se numa arcaizante arcaria de volta perfeita, sustentada por colunas da ordem jónica, inscrevendo-se cabeças humanas nas mísulas que estão sobre os capitéis.
O primeiro andar apresenta uma varanda coberta, com peitoril retangular moldurado - no qual foi acrescentado um brasão setecentista da Santa Casa sob a coroa real portuguesa -, sustentada por elegantes bustos de cariátides sobre pedestais com medalhão figurado. Os entablamentos são preenchidos com uma decoração de grinaldas e outros motivos fitomórficos. O último andar é formado por uma "loggia" coberta, protegida por um gradeamento de ferro, assente em colunas-cariátides, ligeiramente diferentes daquelas que sustentam o piso inferior. A empena possui, no alinhamento dos cunhais, duas esculturas sobre pedestais, impondo-se ao centro um frontão triangular, com o tímpano preenchido com uma cartela solar e sobrepujado por um Crucifixo de pedra.
Na fachada lateral da Misericórdia vianense, um imponente portal em arco de volta perfeita é ladeado por duas colunas-cariátides sobre pedestais, com medalhões figurados, sustentando forte entablamento - obra de aparato que é sobrepujada por elegante varanda retangular, gradeada e com os vãos de pedra rusticada.
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