Casa de Constantino (306 d. C.- 392 d. C.)

Embora alguns autores distingam Dinastia Constantiniana e Dinastia Valentiniana, podemos incluir, de um modo geral, sob esta designação seis importantes imperadores: Constantino I (306 d. C.-337 d. C.), Constâncio II (337 d. C.-361 d. C.), Juliano (355 d. C.-263 d. C), Valentiniano (364 d. C.-375 d. C.), Valente (364 d. C.-378 d. C.) e Graciano (367 d. C.-383 d. C.). Fazem parte desta dinastia mais quatro imperadores: Constantino II (317 d. C.-340 d. C.), Constante (337 d. C.-350 d. C.), Joviano (363 d. C.-364 d. C.), Valentiniano II (383 d. C.-392d. C.).
Caio Flávio Valério Constantino nasceu aproximadamente em 280 d.C., filho de Constâncio I Cloro, que havia sido associado ao Império por Diocleciano durante a tetrarquia. Depois da morte de Constâncio foi proclamado imperador, tendo que enfrentar algumas oposições armadas, em particular de Maxêncio, filho do antigo Imperador Maximiniano, e mais tarde de Licínio, seu cunhado, que ocupou o Oriente. Responsável pelo Édito de Milão, que concedia liberdade religiosa a todos os cidadãos do Império, comportou-se, durante o seu reinado, como um príncipe cristão. Designou como capital Bizâncio, que se tornou Constantinopla, a 11 de maio de 330 d. C. Morreu e foi batizado em 337 d. C. Flávio Júlio Constâncio nasceu a 7 de agosto de 317 d. C. e foi considerado um imperador hábil e eficiente. Filho de Constantino e Fausta, após a morte de seu pai reinou no Oriente, enquanto seu irmão Constante reinava no Ocidente (337 d. C.-350 d. C.). Constante é assassinado em 350 d. C., por Magnêncio, oficial superior do exército imperial e usurpador do poder do Ocidente. Em 353 d. C., Constâncio II derrota Magnêncio e torna-se imperador único, até 355 d. C., quando Juliano é nomeado César. O seu reinado foi caracterizado como um período de governo estável, tendo tornado funcional o sistema administrativo instaurado por Constantino. Morre de febre na Ásia Menor, em 361 d. C. Nascido em 331/332 d. C., Flávio Cláudio Juliano, conhecido como Juliano o Apóstata, foi o último imperador pagão, embora tenha recebido uma severa educação cristã. Neto de Constantino, nos finais de 355 d. C., foi convocado a Milão e nomeado César. Em 361 d. C., as legiões amotinadas aclamaram-no Augusto. Constâncio recusou-se a reconhecer o título e Juliano marchou contra ele, em 361 d. C. Entrou em Constantinopla em dezembro e iniciou um programa de reformas. Proclamou a liberdade de culto para pagãos e cristãos e convocou o clero que havia sido exilado. Reduziu drasticamente o número de funcionários do palácio e reforçou o controlo imperial em matéria financeira. Juliano foi um romântico e aplicou a sua inteligência, energia e idealismo tentando devolver ao Império a glória do passado. Foi ferido e morreu, em 363 d. C., durante a expedição Persa, sucedendo-lhe por escassos meses Joviano. Flávio Valentiniano nasceu em 321 d. C. e foi educado para se tornar oficial de cavalaria. A 25 de fevereiro de 364 d. C., quando Joviano morre, foi proclamado imperador, tendo nomeado, uns meses mais tarde, Valente, seu irmão mais novo, Imperador do Oriente. A defesa das fronteiras foi a sua preocupação prioritária mas Valentiniano demonstrou ser também um administrador escrupuloso, que tentou limitar os abusos e a imposição excessiva de tributos. Embora cristão, conduziu uma política religiosa sem precedentes, tolerando o culto pagão e os hereges. Morreu a 17 de novembro de 375 d. C., vítima de uma apoplexia e ficando na História, segundo muitos autores, como o último grande imperador romano. Valente, Imperador do Oriente, não possuía a habilidade militar e a força de carácter de seu irmão. Ao contrário de Valentiniano perseguiu os cristãos no Oriente, tendo o seu maior feito sido uma redução de impostos, que funcionou como estratégia política e económica. Foi derrotado e morreu, a 9 de agosto de 378 d. C., num confronto contra os Godos, a que se chamou desastre de Andrinopla e do qual o Império Romano não se restabeleceu. Graciano, primogénito de Valentiniano, nasceu em 359 d. C. e foi proclamado imperador em 367 d. C., por seu pai, a quem sucedeu com apenas dezassete anos. Com o desastre de Andrinopla e a perda de dois terços do exército do Oriente, a situação militar do Império tornou-se insustentável. Nomeou Teodósio Imperador do Oriente, em 379 d. C., e juntos combateram a invasão dos Godos. Graciano foi assassinado a 25 de agosto de 383 d. C., durante a usurpação de Máximo. Era o fim da Casa de Constantino e o início da Casa de Teodósio.
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