Casa de Sezim

A Casa de Sezim, cuja conclusão se reporta a finais do século XVIII, no tempo de José Alexandre de Freitas do Amaral Castelo Branco, situa-se próximo de Guimarães e destaca-se desde logo pelo seu perfil longo e térreo.
O carácter privado do espaço é acentuado pelos muros baixos que cercam a propriedade, dotando-a de uma atmosfera intimista, embora os vãos gradeados do muro permitam um vislumbre do edifício. O grande arco da entrada, de sabor triunfal, possui um brasão com data de 1795. Estilisticamente, representa uma solução de compromisso entre o rocócó e o neoclássico. No lado interior, o arco apresenta duas fontes de tanque circular.
A casa ergue-se sobre um embasamento, visível apenas nos locais onde a cota do terreno é mais baixa, destinando-se, tal como em tantos outros casos, à armazenagem do mosto, com carácter funcional de adega. A fachada, comprida e baixa, possui torreões a marcar os ângulos, deslocando para aqui a tradicional escadaria central que é substituída por dois conjuntos de lanço de degraus e porta, com entrada direta nos aposentos. Uma varanda acompanha o comprimento da casa e abre-se para um jardim através de um elegante varandim de ferro. Junto a este, e escondido pela folhagem, situa-se a escada de acesso ao jardim, de patamar retangular e dois lanços direitos. No interior, uma sequência de salas comunicantes entre si através de vãos retangulares destaca-se pela singularidade do seu conjunto pictórico. A divisão principal está revestida com papel de parede pintado com as famosas views of America, amplamente divulgadas na Europa e na América do Norte no início do século XIX, inicialmente produzidas por Z. Zuber em 1834, na Alsácia. A temática versa, à esquerda da porta, a Utah's Natural Bridge e, à direita, as Cataratas do Niagara, sendo ainda visíveis no resto de divisão os pináculos de Boston e uma vista do rio Hudson. Respira-se um ambiente próximo do Estilo Diretório, realçado pelos cortinados e pelas cadeiras inspiradas em modelos de Hepplewhite (1778).
As duas salas seguintes apresentam revestimento idêntico - a segunda também padrões de Zuber, evoca episódios no Industão, num conjunto pleno de exotismo desenhado por P. A. Mongin a partir de um papel de parede antigo, datado de 1806. Este conjunto é posterior a 1830 pela técnica que apresenta (rolo contínuo). Tal como a primeira sala, ostenta um teto trapezoidal, com os cantos apoiados em arcos de inspiração oriental.
Segue-se a sala D. Quixote com decoração provavelmente de origem espanhola, embora o rodapé, com temática de arquiteturas góticas, seja de origem francesa. A última sala, de inferior dimensão, é decorada com telas que imitam tapeçarias. Na capela da casa sobressai a figura escultórica de S. Sebastião mártir.
Como referenciar: Casa de Sezim in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-21 05:34:02]. Disponível na Internet: