Casa do Infante (Porto)

O edifício da real "Alfândega Velha", situado na confluência das ruas Infante D. Henrique e Alfândega Velha, é tradicionalmente conhecido como a Casa do Infante, por se julgar ter sido neste edifício que o infante D. Henrique nasceu. De facto, D. Henrique nasceu na cidade do Porto, mas não é possível determinar o local exato de tão significativo evento histórico.
A denominada Casa do Infante localiza-se na primitiva "Alfândega Velha", obra que foi erguida numa zona da cidade intensamente disputada entre o Cabido da Sé e D. Afonso IV. Com efeito, em 1325 este monarca ordenou a edificação de algumas casas nessa área próxima da Ribeira e que a Igreja portuense reclamava como sua pertença. Sanado o conflito em 1354, o "Armazém Régio" e as restantes casas da Coroa continuaram nessa artéria do burgo.
No reinado de D. João I abriram-se novos trechos urbanos, com destaque para a Rua Formosa, que corresponde à atual Infante D. Henrique. Nos meados do século XV, D. Afonso V ordenou a reconstrução das arruinadas casas da Coroa localizadas na Rua Nova, entre as quais se incluía a "Alfândega Velha". Nova ampliação e remodelação estrutural foi realizada em 1667 pelo futuro D. Pedro II, erguendo-se nessa altura a atual fachada da Casa do Infante e que correspondia ao edifício da já citada "Alfândega Velha".
Por ocasião das comemorações do IV Centenário do nascimento do infante D. Henrique, assinalado em 4 de março de 1894, obras de características revivalistas neogóticas procuraram reconstituir o ambiente e a decoração medieval da Casa do Infante.
Em 1924, o edifício seria classificado como Monumento Nacional, e em 1960 a Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (D.G.E.M.N.) procedeu à remodelação do seu interior. Atualmente, este monumento portuense pertence à Câmara Municipal, funcionando nas suas belas salas o Gabinete de História da Cidade.
A Casa do Infante tem a sua entrada principal localizada na Rua da Alfândega Velha e é composta por portal de largo arco abatido. Sobre este pode observar-se uma lápide comemorativa do IV Centenário do nascimento de D. Henrique, obra oitocentista moldurada com arco conopial e o brasão do infante. No lado superior esquerdo do portal é visível um escudo régio do século XVII.
Para além do mencionado portal principal, a extensa fachada seiscentista, remodelada segundo a linguagem revivalista de sabor neogótico do século XIX, é repartida em quatro andares, ritmados por 14 janelas de guilhotina molduradas. Superiormente corre uma arcaria sustentando o saliente beiral do telhado.
Transposta a porta principal, desemboca-se num pátio interior, espaço que estabelece a ligação entre as diversas dependências do edifício. Elementos arquiteturais e decorativos do período medieval gótico e seiscentista caracterizam as salas e acessos dos vários andares da Casa do Infante.
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