Casimiro de Brito

Escritor português, nascido a 14 de fevereiro de 1938, em Loulé, detentor de um curso comercial, exerceu pequenas funções industriais até ocupar o lugar de funcionário bancário. Colaborou, como crítico literário, em vários periódicos; pertenceu à Direção da Associação Portuguesa de Escritores; foi presidente da Association Européenne pour la Promotion de la Poésie e do PEN Clube de Portugal. Desenvolveu um papel cultural de destaque pela presença assídua em conferências, colóquios e congressos internacionais com comunicações centradas sobre a comunicação poética. Dirigiu a revista Loreto 13, órgão da Associação Portuguesa de Escritores, e foi distinguido com o Prémio da Imprensa Cultural Portuguesa, com Jardins de Guerra; com o Prémio Internacional de Poesia Versilia-Viareggio, com Ode & Ceia (Poesia 1955-1984), e Labyrinthus cumulou o Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura. Fundou, com António Ramos Rosa, os Cadernos do Meio-Dia, publicação surgida num momento de balanço das tendências poéticas que atravessaram a década de 50, e anunciando já caminhos a percorrer na década seguinte, que apresentava como objetivo reunir "vozes diversas" que dessem "especial relevo à "presença atenta e eficaz da poesia na Consciência, na Cidade, no Cosmos". Publica Canto Adolescente na coletânea Poesia 61, antologia poética que reuniu textos de Casimiro de Brito, Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, Luiza Neto Jorge e Maria Teresa Horta, espelhando, no seu conjunto, uma tendência poética que, durante a década de 60, dá privilégio à palavra depurada, à linguagem poética na sua opacidade e rigor construtivo. Para António Ramos Rosa, a poesia de Casimiro de Brito nasce da necessidade de "Aderir à terra, criar um espaço respirável entre as ruínas do mundo, congregar todos os elementos cósmicos juntamente com o vazio e a morte, construir a metamorfose do poema em que os contrários se reúnem numa pulsação única das "matérias transfiguradas", num ato de preservação do mundo e de tudo o que é preciosamente outro - mas igualmente ato de autopreservação ontológica." (Incisões Oblíquas, 1987, p. 137). No início dos anos 70, revela-se no domínio da ficção com uma escrita multiforme que integra uma pluralidade de registos, narrativos e não narrativos.
Como referenciar: Casimiro de Brito in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-21 12:04:05]. Disponível na Internet: