Castelo de Beja

Sede de uma das três jurisdições romanas da Lusitânia, Pax Julia corresponde à atual cidade de Beja. A sua situação revelou-se de grande importância económica e estratégica, posição que manteve na Época Visigótica e sob o domínio do Islão.
O tempo e as guerras encarregaram-se de apagar parte desse glorioso e multifacetado passado. D. Afonso Henriques conquistou-a, pela primeira vez, em 1159, abandonando-a alguns meses mais tarde. Sucessivas perdas e retomas arruinaram a vetusta fortaleza bejense, até que D. Afonso III a conquistou definitivamente para as armas cristãs. Este monarca concedeu-lhe foral em 1254, ajudando ativamente na reconstrução do seu castelo, obras que foram continuadas pelo seu filho, o rei D. Dinis. Até ao século XVII, o castelo de Beja seria objeto de numerosas remodelações, que lhe modificaram a original volumetria medieval.
Beja encontrou-se do lado do partido nacionalista durante a crise de 1383-85. Elevada a ducado por D. Afonso V, o seu mais famoso titular seria D. Manuel I. Com este monarca, Beja passaria à categoria de cidade. Opondo-se à injustiça e à opressão do invasor francês, Beja rebelou-se contra as tropas comandadas por Junot, pagando demasiado alto o preço da sua rebeldia. O resultado foi um massacre terrível, pois as forças de Junot mataram cerca de 1200 pessoas, valendo a intervenção da Igreja local para evitar maiores calamidades. Um quarto de século mais tarde, as lutas entre liberais e absolutistas desencadearam novos episódios sangrentos, resultando na morte de grande número de membros do Clero e de indefesos cidadãos bejenses. Ainda no século XIX, o castelo de Beja seria alvo de outra grande destruição que lhe arrasaria parte do seu perímetro defensivo.
Sobre a silhueta da sua praça-forte sobressai a Torre de Menagem, altiva e esbelta, obra-prima da arquitetura militar do período gótico, do reinado de D. Dinis. Constituída por três pisos e com uma altura de 40 metros, a Torre de Beja apresenta balcões angulares unidos por varandins defendidos por ameias piramidais. Rasgam-na harmoniosas portas ogivais e janelas geminadas, com especial destaque para a elegante fenestração em arco de ferradura. Interiormente, a torre de mármore esconde admiráveis e decoradas salas góticas abobadadas.
A porta principal do castelo medieval abre-se em arco ogival e deixa entrever a praça de armas. A cerca urbana possuía 40 torreões, 5 portas e 2 postigos, que desapareceram, na sua maior parte, devido à ação destruidora do camartelo. Restam ainda duas portas de origem romana - a Porta de Évora, contígua ao castelo, e o arco da Porta de Avis. Defendida por dois torreões encontra-se a Porta de Moura. Alguns panos de muralha, reforçados por elegantes cubelos defensivos, afirmam a nobreza e monumentalidade do castelo medieval de Beja. Novo perímetro defensivo foi erguido no tempo de D. Pedro II, obra militar seiscentista que não seria concluída mas de que ainda restam alguns trechos.
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