Castelo de Campo Maior

Vila fronteiriça do Alto Alentejo, Campo Maior situava-se num dos mais percorridos e turbulentos caminhos de invasão utilizado pelas tropas espanholas, pelo que se constituía como um ponto fundamental na estratégia de defesa militar do território nacional.
Não se conhecendo os antecedentes castrenses de Campo Maior, sabe-se, no entanto, que esta vila alentejana foi conquistada aos Mouros no século XIII por um esquadrão de cavaleiros de Badajoz, integrando então a Extremadura espanhola. Pelo Tratado de Alcanises, D. Dinis consolidou a fronteira nacional e recebeu Campo Maior no seio da Coroa portuguesa. Este monarca concedeu-lhe foral de vila, procedendo à reconstrução do seu anterior castelo. Desse tempo subsistem parte das muralhas, as portas do Sol e de Santa Maria, para além de três esbeltas torres quadrangulares ameadas, uma delas virada a Ocidente e rasgada por bonita janela de verga manuelina. No interior ergue-se a Igreja Matriz de Santa Clara, obra dionisiana que posteriormente seria modificada.
Durante a crise de 1383-1385, Campo Maior alinhou pelo partido de Castela, já que esta praça-forte permanecera fiel a D. Beatriz - fidelidade que se manteve até 1388. Nessa altura, D. João I cercou-a e vergou-a, após árduo e esgotante combate. No século XV, D. João II ampliou e modificou substancialmente o seu perímetro defensivo, obras que prosseguiram ao longo do reinado de D. Manuel I.
No fatídico ano de 1580, Portugal perdeu a sua independência. Campo Maior viu o seu alcaide-mor preso pelos espanhóis, após este se ter recusado a entregar as chaves da vila e do seu castelo. 60 anos mais tarde, Campo Maior aderiu à causa da Restauração e D. João IV decidiu remodelar decisivamente o perímetro defensivo da fortaleza. A obra seria dirigida pelo francês Nicolau de Langres, arquiteto militar que, posteriormente, alinharia pelo lado espanhol. Nas obras seiscentistas procedeu-se à construção de novos panos de muralha, adaptados às novas táticas da artilharia. Nove baluartes fortaleceram a praça-forte - denominados Príncipe, Fonte do Concelho, S. Francisco, Santa Rosa, Praça Baixa, Boavista, S. Sebastião, Curral dos Coelhos, Santa Cruz e S. João -, reforçados por revelins e outros dispositivos defensivos, como sejam os fortes do Cachimbo e de S. João, este último mandado demolir por D. João V, devido ao seu isolamento e difícil defesa. Contudo, o crescimento da urbe derrubaria parte importante deste complexo defensivo.
O século XVIII prolongou a história de assédio constante por parte dos espanhóis. O mais sangrento e destruidor dos confrontos ocorreu nas Guerras de Sucessão ao trono de Espanha, movido pelo marquês de Bay em 1712. No entanto, os portugueses, em número muito inferior, opuseram valorosa resistência e obtiveram retumbante vitória.
A madrugada de 16 de setembro de 1732 revelou-se trágica para o castelo de Campo Maior. Uma trovoada desabou sobre este e um raio atingiu gravemente a Torre de Menagem, onde se localizava o paiol da pólvora. A explosão foi tremenda, matando muitas pessoas e reduzindo a fortaleza a escombros. No entanto, D. João V ordenou a sua imediata reedificação.
No dealbar do século XIX, Campo Maior sofreu forte assédio do ministro espanhol Godoy durante a Guerra das Laranjas. Ao longo de 18 dias, os sitiados resistiram; esgotados, os defensores viriam a capitular. Dez anos volvidos, o castelo foi novamente submetido a um tremendo e desgastante cerco por parte das forças francesas, comandadas pelos generais de Napoleão. Com um reduzido número de defensores, o comandante José Talaia resistiu durante 13 dias, período após o qual decidiu capitular. Apesar disso, a praça-forte de Campo Maior seria retomada somente quatro dias mais tarde, devido à ação empreendedora do exército luso-britânico comandado pelo general Beresford - a quem seria concedida a honra de usar o título de marquês de Campo Maior.
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