Castelo de Estremoz

Revelando-se como uma das mais importantes praças-fortes do Alentejo, o castelo da cidade de Estremoz esteve ligado a alguns dos mais decisivos episódios da História de Portugal.
Dos sinais exteriores que o enformavam anteriormente à Reconquista Cristã pouco se conhece, pois a sua História só começa a materializar-se com a explusão dos muçulmanos, que ocorreu, provavelmente, em 1165 - ano em que Geraldo Geraldes, o Sem Pavor, conquistou a cidade de Évora. Perdida a sua posse, alguns anos depois Estremoz voltaria a ser retomada, desta vez figurando em definitivo no mapa do Portugal cristão.
No século XIII, D. Afonso III ordenou a remodelação do seu castelo, enquanto D. Dinis mandou ampliá-lo, edificando nele o seu paço real, ao mesmo tempo que procedeu à envolvência de muralhas no perímetro desta urbe alentejana. Obras subsequentes conferiram ao castelo de Estremoz um reforço da sua estrutura e diferentes formas da arquitetura militar. O Paço Real de Estremoz foi uma das moradas preferidas por D. Dinis e D. Isabel de Aragão - a Rainha Santa Isabel, que aqui viria a falecer no dia 4 de julho de 1336, sendo mais tarde trasladada para o Convento de Santa Clara-a-Velha de Coimbra. Esta sábia e santa rainha evitaria em Estremoz o eminente embate entre o seu filho D. Afonso IV e Afonso XI de Castela.
Em 1384, D. Nuno Álvares Pereira instalou o seu quartel-general em Estremoz, fortaleza que se conservara fiel à independência de Portugal. Comandadas por este intrépido guerreiro, as tropas portuguesas saíram da segurança das muralhas de Estremoz para enfrentarem o exército castelhano em Atoleiros. O resultado foi uma brilhante vitória para as cores nacionais.
Em 1580, o castelo de Estremoz e o seu alcaide-mor permaneceram fiéis à causa nacional, apoiando D. António, prior do Crato, à sucesssão da coroa portuguesa. No entanto, o duque de Alba invadiu Portugal e chegou às portas de Estremoz. Em face da desproporção e da mais que provável destruição do burgo, o alcaide-mor de Estremoz rendeu-se, ficando preso no castelo de Vila Viçosa.
Sessenta anos mais tarde, Estremoz ressurgiu nas Guerras da Restauração, servindo novamente de quartel-general às tropas portuguesas. Em 1659, a cidade iria contribuir com os seus homens na vitória das Linhas de Elvas, situação que viria a repetir-se na Batalha de Montes Claros, ocorrida em 1665.
Na centúria de Oitocentos, Estremoz auxiliou novamente as sitiadas forças de Elvas durante a Guerra das Laranjas, uma vez mais provocada pelas forças invasoras vindas de Espanha. Anos mais tarde, as fratricidas lutas entre liberais e absolutistas recolocaram este castelo no mapa das guerras nacionais. Levados pelos incontroláveis ódios da guerra civil, os miguelistas asassinaram impiedosamente 39 liberais que se encontravam nas prisões de Estremoz.
Com uma planta pentagonal, do castelo medieval subsistem as muralhas ameadas reforçadas por cubelos semi-cilíndricos; a gótica e quadrangular Torre de Menagem - denominada Torre das Três Coroas -, elevando-se a 27 metros de altura e sendo rematada por ameias piramidais, e possuindo ainda três elegantes balcões ameados, com sistema de mata-cães, assentes em mísulas goticizantes. No interior da torre, relevo para a monumental sala do segundo piso, de planta octogonal e coberta por abóbada polinervada. Na cerca amuralhada destacam-se ainda as portas de Santarém e da Frandina.
Intramuros, podemos observar a nobilíssima galeria ogival da Casa da Audiência, de dupla arcaria apoiada em colunelos de mármore com capitéis historiados, contendo ainda um antigo brasão da cidade. Do tempo de D. Manuel I são o velho Celeiro Comum, coberto por ogival abóbada de nervuras, e a Torre do Relógio.
No século XVII, Estremoz veria o seu sistema de defesa remodelado, construindo-se quatro baluartes, dois meios-baluartes e um revelim, reforçados posteriormente por outros sistemas defensivos contra a moderna arte da pirobalística, nomeadamente a linha abaluartada da Praça Baixa. Devido a uma forte explosão dos paióis de pólvora, o castelo e o paço foram seriamente danificados. D. João V ordenou a sua reconstrução, levantando-se um soberbo edifício barroco, reconvertido em Pousada da Rainha Santa Isabel.
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