Castelo de Lindoso

Integrado no sistema montanhoso do Soajo rasgado por vales onde correm os rios Laboreiro e Lima e as ribeiras subsidiárias, o castelo de Lindoso, no concelho de Ponte da Barca, foi mandado construir de forma a desempenhar a tríplice função de vigília - sobre a constante ameaça que vinha de Espanha -, defesa - de um território que se queria para sempre independente -, e de símbolo de poder - de um governante que delimitaria a norte e a sul o território que se tornaria definitivamente português.
As vias de comunicação foram, até à pouco tempo, praticamente inexistentes, pelo menos na aceção que delas temos hoje em dia, galgavam-se caminhos estreitos, íngremes e pedregosos.
A construção desta fortaleza deve ser incluída na ação de reforço do sistema defensivo, de norte a sul do país, levada a cabo por D. Afonso III. A necessidade de manter estes pontos povoados e as constantes queixas de abusos levadas às cortes por parte das populações residentes, fizeram com que este monarca instalasse um inquérito na zona norte do país. Assim sabemos que daqui resultaram as seguintes obrigações no Castelo de Lindoso: os habitantes alimentariam o alcaide em determinadas circunstâncias e seria a proibido recaír sobre esses mesmos habitantes quaisquer abusos. Desta época ficaram como testemunhos ainda patentes na fortificação a zona nuclear do castelo - a praça de armas, a torre de menagem e as fortes muralhas que a circundam.
A torre de menagem, localizada no lado norte, ou seja, sobre a linha de fronteira, apresenta uma planta quadrangular e é encimada por ameias de remate tronco-piramidal. Dos lados nascente e poente encontram-se muros de pedra aparelhada que cercam o terreiro, onde se pode circular, no topo, pelo adarve, construído para facilitar o percurso dos homens e das armas mais leves. O acesso ao recinto faz-se por duas portas, uma localizada próximo da torre, a segunda, do lado sul, a que se tinha acesso por ponte levadiça. Destaca-se esta última pela sua arquitetura ostentando do lado interno um arco de volta perfeita e do externo um arco quebrado, reforçada ainda por dois cubelos retangulares.
Constituem vestígios do século XVII uma nova linha de muralhas do tipo abaluartado, que circunda a fortificação, cujos ângulos foram reforçados com guaritas de cúpulas semiesféricas e alguns pontos fulcrais do parapeito com canhoneiras. Estas obras, que se iniciaram com a Restauração, ter-se-ão prolongado até cerca de 1720.
Serviu de apoio às incursões à Galiza realizadas em setembro de 1641, comandadas por Vasco de Azevedo Coutinho e Manuel de Sousa de Abreu.
São ainda visíveis, mas sem possibilidade de atribuição cronológica precisa, o que resta da residência do alcaide, do quartel de guarnição, da capela e de um forno.
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