Castelo de Portalegre

Bonita cidade do Alto Alentejo, Portalegre é marcada pelo contraste da pedra escura das muralhas do seu castelo e do casario branco que se espraia em redor. A antiga fortaleza medieval foi sendo, gradualmente, desmantelada, sobrevivendo da sua outrora grandeza alguns trechos de muralha, certas torres de vigia e escassas portas do perímetro defensivo.
Até ao século XIII não se pode, com segurança, traçar a história do castelo de Portalegre. Nesta centúria, D. Afonso III concedeu foral à vila alentejana, para, no reinado seguinte, D. Dinis proceder à construção da sua fortaleza, motivado pelo aumento populacional e pela defesa da fronteira com Castela. Portalegre está no centro de um diferendo entre D. Dinis e o seu irmão, o infante D. Afonso. O pai de ambos, D. Afonso III, deixara em testamento a seu filho D. Afonso o senhorio de Portalegre, Marvão, Castelo de Vide e Arronches, para além de outras terras. Entretanto, três das filhas do infante D. Afonso vieram a casar-se com fidalgos castelhanos, pelo que D. Dinis temia que, por herança, estas vilas de fronteira mudassem de mãos. Assim, D. Dinis decidiu cercar Portalegre, Arronches e Marvão, caindo a praça-forte de Portalegre em outubro de 1299. O infante D. Afonso assinou um acordo com o seu irmão, mediado pela Rainha Santa Isabel, retornando estes senhorios fortificados da fronteira alentejana à Coroa portuguesa. Como compensação, D. Dinis entregava a seu irmão o senhorio de Sintra, Óbidos e outras localidades da região de Lisboa. Deste modo, Portalegre ficava, definitivamente, sob a jurisdição da casa real portuguesa.
Tentadoras promessas foram feitas a Portalegre por uma das fações na Guerra da Sucessão à Coroa espanhola, decorria o início do século XVIII. Como consequência, a sua praça-forte seria ocupada, temporariamente, em 1704, por partidários hispano-franceses de Filipe V.
Sofrendo posteriores remodelações, o castelo erguido em tempo de D. Dinis era formado por dupla muralha, reforçada por doze torres e compreendendo oito portas - denominadas respetivamente Deveza, Postigo, Alegrete, Elvas, Évora, Espírito Santo, São Francisco e do Bispo. No ponto mais alto da cidade ergue-se a robusta Torre de Menagem, de dois andares, com abóbadas, janelas e portas do gótico ogival. Em frente, conserva-se parte da praça de armas, ainda com vestígios de volumes arquitetónicos e duas poderosas torres angulares.
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