Castelo de Tomar

Localizado numa colina sobranceira à cidade de Tomar, o Castelo dos Templários é a zona mais antiga de um dos mais surpreendentes monumentos do território nacional e que se encontra classificado como património mundial - o Convento de Cristo.
A fortaleza conheceu a sua fundação no século XII e foi concebida para se constituir como sede da Ordem do Templo, monges-militares dos mais aguerridos corpos do exército cristão nas lutas da Reconquista. Para controlo da antiga estrada romana que ligava Santarém a Coimbra, Afonso Henriques e Gualdim Pais, 2.º mestre dos Templários em Portugal, decidiram a construção da fortaleza em Tomar, reaproveitando materiais diversos da antiga cidade romana de "Selium" e que se localizava nas proximidades de uma das margens do rio Nabão.
À sombra das protetoras muralhas do castelo tomarense, a povoação ia crescendo. No entanto, o perigo espreitava. Um arrasador ataque de Iuçufe conduziu as tropas muçulmanas até às proximidades de Tomar, depois deste tomar e cercar importantes cidades no sul. A população refugiou-se na segurança das muralhas castrenses, enquanto os Templários ofereciam resistência aos sitiantes. Apesar de terem conseguido entrar na cerca exterior de Tomar, os muçulmanos seriam repelidos e sofreriam pesadas baixas. Dizimados, os árabes retiraram-se, não sem antes procederem a uma razia da vila extramuros. A Ordem do Templo foi extinta no século XIV. No entanto, em 1321, D. Dinis consegue que a nova Ordem Militar de Cristo se constituísse como herdeira dos Templários. Momentaneamente, a sede desta ordem militar localizou-se no Algarve, em Castro Marim; no entanto, alguns anos mais tarde seria transferida para o Castelo de Tomar. O Infante D. Henrique, um dos principais impulsionadores dos Descobrimentos Portugueses, seria nomeado regedor da Ordem de Cristo, estabelecendo a sua residência no Castelo de Tomar, ao mesmo tempo que reformava a ordem e empreendia melhoramentos consideráveis na povoação tomarense.
O castelo e o convento beneficiaram de obras realizadas nos reinados de D. Manuel I e de D. João III, melhoramentos que prosseguiram nos reinados posteriores. As destruições que se abateram sobre o território nacional durante as invasões francesas (1808-1811) também não pouparam a fortaleza e a cidade de Tomar, agravadas a partir de 1834 com a extinção das ordens religiosas e que afetaram igualmente a de Cristo. Até à reabilitação, já no século XX, desta obra ímpar da arquitetura militar, o Castelo de Tomar foi espoliado dos seus bens e serviu para os mais deploráveis fins, a que não fora destinado.
Originalmente, o Castelo de Tomar era formado por duas cercas de muralhas reforçadas por torres redondas e cubelos vários.
No centro da fortaleza estende-se a praça de armas, cujo seu extenso perímetro vai desde a Porta do Sol até à sagrada Charola conventual, oratório de planta central e que se inspirava no Templo de Jerusalém.
Na zona mais elevada da alcáçova, cingida por elevados panos de muralha, encontra-se a Torre de Menagem, incorporando na sua estrutura elementos arquitetónicos romanos. Entre a alcáçova e o claustro da Lavagem, que integra já o cenóbio, situam-se as estruturas do Paço do Infante D. Henrique. No limite sudoeste da cerca localiza-se a Torre da Rainha D. Catarina. Fecham o perímetro defensivo, a sul e a norte, duas outras cercas de muralhas, coroadas por merlões rasgados de seteiras e reforçadas por uma série de torres e cubelos.
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