Castelo dos Mouros

Numa das soberbas e verdejantes vertentes da romântica Serra de Sintra - denominada pelos romanos o Monte da Lua - localiza-se um dos mais lendários e assombrosos castelos de Portugal. Trata-se do conhecido Castelo dos Mouros, que, em silêncio, vigia Sintra e as planícies que se estendem até ao Oceano Atlântico.
Tal como o nome indicia, a sua edificação deveu-se aos muçulmanos, tendo estes começado a levantar as suas defesas entre os séculos VIII e IX. Cobiçada entre as diferentes e rivais taifas árabes, Sintra mudou várias vezes de mãos, sendo inclusivamente ocupada no século XI por Afonso VI de Leão. No entanto, a sua posse definitiva para as armas cristãs ocorreu no século XII, quando D. Afonso Henriques tomou igualmente Lisboa e Santarém. Caiu sem resistência, pois os seus defensores tinham-se acolhido à segurança de fortalezas localizadas na margem sul do Tejo.
O repovoamento e defesa de Sintra é realizado pelo nosso primeiro monarca, que, para atrair as populações e os militares, concedeu foral a esta localidade em 1154. D. Sancho I remodela e restaura as defesas do castelo de Sintra, obras que seriam retomadas no século XIV, em pleno reinado de D. Fernando I. Da original edificação árabe subsistiram apenas alguns panos de muralha ameados. Nas desastrosas guerras desencadeadas pela ambição de D. Fernando, os exércitos castelhanos atacaram Sintra. Durante a crise dinástica de 1383-85, o alcaide deste castelo tomou partido por D. Beatriz e Castela, mantendo-se fiel a este compromisso até à Batalha de Aljubarrota.
Quando a corte se deslocava a esta localidade dos arredores de Lisboa, ficava no Palácio da Vila de Sintra, pelo que as antigas instalações residenciais do castelo começaram a ser negligenciadas. O seu interesse militar decaiu e a praça-forte ficou desguarnecida. O tempo encarregou-se de ir arruinando o perímetro defensivo do Castelo dos Mouros.
No século XIX, D. Fernando II empenhou-se em valorizar a Serra de Sintra. Este mecenas esclarecido e culto procedeu a uma imaginativa obra de conservação e restauro, iniciativa importante que susteve a ruína em que o castelo caíra.
Serpentinando ao longo de uma das íngremes colinas da serra sintrense, os panos de muralha apresentam-se coroados por parapeitos ameados. A muralha é fortalecida por sólidos cubelos, correndo no seu interior extensos adarves, rampas e inúmeros degraus de escadas. Sobressaem vigilantes cinco torres ameadas, estando a de menagem gravemente danificada por um raio que a atingiu em 1636, bem assim como pelo terramoto de 1755.
Intramuros e nas proximidades da porta de entrada observam-se as ruínas do pequeno templo românico consagrado a S. Pedro, obra realizada no reinado de D. Afonso Henriques. Contígua fica a cisterna do castelo, brotando do seu interior abobadado uma nascente que alimentava o Palácio da Vila de Sintra.
Na cota mais elevada ergue-se a Torre Real, construção a que se acede vencendo 500 demolidores degraus escavados na rocha. De acordo com a tradição, o poeta Bernardim Ribeiro terá habitado neste bucólico e isolado local.
Integra-se este castelo na área Paisagem Cultural de Sintra, local classificado Património Mundial pela UNESCO.
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