Castelo Mendo

Localizada no distrito da Guarda, é sede de freguesia e situa-se no sudoeste do concelho de Almeida, ao qual pertence desde 1870. A aldeia está implantada a 750 metros de altitude, na margem esquerda do rio Coa, que a circunda dos lados este e sul e sobre um maciço granítico. A aldeia é praticamente inacessível por nascente, sul e poente, dominando uma paisagem de vales encaixados e muito agreste. A sua população ronda os 100 habitantes e está bastante envelhecida. Pelo facto de ser uma região da raia, a sua origem e a sua evolução histórica estão relacionadas com funções defensivas do território nacional. O castro remonta ao Neolítico e foi posteriormente ocupado pelos Romanos. Possui três ordens de muralhas e teve uma importante ocupação militar e administrativa. A sua importância também se relacionava com o facto de por aí passarem as vias romanas que ligavam Almeida à Guarda. Foi invadido pelos povos bárbaros e árabes, caindo posteriormente em ruínas. Foi D. Sancho I que o mandou reconstruir e lhe deu foral em 1186. Com D. Dinis foi criada a que se considera a primeira feira portuguesa, que era anual e durava quinze dias. O mesmo rei mandou remodelar o castelo e aumentar a cerca das muralhas e nomeou D. Mendes Mendo, cujo nome está na origem do topónimo, alcaide. Castelo Mendo desempenhou um papel relevante sobretudo na Idade Média, sempre que ocorriam conflitos com Castela, e também no século XIX, durante as Invasões Francesas.
A povoação data dos tempos da monarquia e predominam as construções em granito. Está rodeada por muralhas medievais, adaptadas à topografia, e algumas casas encontram-se a elas encostadas. Possuem janelas filipinas, renascentistas e elementos manuelinos. Trata-se de um espaço histórico, urbanístico e paisagístico muito importante no contexto das fortalezas do concelho de Almeida. Os seus principais monumentos são a Igreja de Santa Maria do Castelo, românica, do século XIII; o Tribunal, que funcionou também como prisão e câmara, que é da época filipina, e atualmente é sala de exposições e sede da Associação para o Desenvolvimento Local, e o pelourinho, que é manuelino, símbolo jurídico e administrativo, e deu nome à praça. Do castelo restam apenas a torre de menagem, onde foi adaptado um relógio, e as muralhas que cercam a aldeia.
As atividades artesanais de olaria, das cadeiras de palha, das mantas de farrapos e das colchas de tear assumem uma importância relevante na sua economia. A agricultura ocupa a maior parte dos seus habitantes e poucos se dedicam ao turismo. Existe apenas um estabelecimento comercial, onde se vendem produtos tradicionais, como mel de folha de figueira e artesanato produzido na aldeia. Castelo Mendo possui ligações viárias com Almeida, Vilar Formoso, o Porto e Lisboa.
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