caverna (simbologia)

A caverna, também chamada de gruta, é um símbolo universal de origem, nascimento e de iniciação através do renascimento. É também uma representação do útero maternal e do mundo das ilusões de Platão. A sua conotação mais negativa prende-se com o antro e o abismo povoado de monstros e outras personagens terríveis. A caverna é um recetáculo mágico e um templo para muitas religiões antigas.
Na tradição grega, a caverna representa o mundo e, por isso, a deusa Ceres desceu através de uma caverna aos infernos em busca da sua filha. Para Platão, no seu mito da caverna, a gruta é o mundo da ignorância, da ilusão e do sofrimento, onde os seres humanos estão acorrentados e vislumbram apenas uma ténue sombra da realidade projetada nas suas paredes. Os homens, para alcançarem a liberdade, a verdade e a justiça, têm de seguir a luz da qual apenas vislumbram um pequeno reflexo e, ao fazerem-no, traçam o caminho da alma até à realidade que é o mundo das ideias. Esta mesma ideia de libertação das paixões através do pensamento é encontrada no antro de Empédocles e nas filosofias de Pitágoras.
As cavernas e as grutas são, em muitas culturas, lugares de iniciação, numa representação do regresso à origem ou ao útero materno, significando um renascimento espiritual. O persa Zoroastro, também conhecido por Zaratustra, homenageava Mitra numa caverna que simbolizava a criação do mundo por este deus Sol. Nos rituais gregos de Elêusis, os neófitos eram acorrentados a uma gruta da qual se tinham que libertar para atingir a iluminação. A deusa Cibele tinha por casa as cavernas, onde oficiavam os seus sacerdotes chamados de Dáctilos. A caverna é também um local mágico onde se encerram tesouros, como a caverna de Ali Babá e os Quarenta Ladrões das Mil e Uma Noites. É o antro dos mineiros e dos duendes que guardam as riquezas da mãe Terra. A caverna tem também uma conotação com o antro, o abismo e o inferno, com dragões, monstros e personagens terríveis.
As grutas são também consideradas locais que geram energia da terra e por isso são utilizadas como templos, tanto na religiosidade pagã como na cristã, onde a Virgem aparece. Na Turquia existe uma lenda que atribui o nascimento do primeiro homem e da primeira mulher numa caverna. No Extremo Oriente, a caverna é o cosmos sendo a sua abóbada o Céu e o seu solo a Terra. Alguns povos chegam a considerar o firmamento como o teto de uma caverna. Os trogloditas faziam das cavernas casas com aberturas no teto para deixar sair o fumo e as almas dos mortos, numa espécie de porta para o sol ou olho do cosmos. Através das grutas atinge-se os céus e por essa razão as antigas divindades chinesas eram representadas dentro de cavernas. Jesus nasceu numa gruta e foi sepultado numa gruta, num claro simbolismo de passagem dos céus divinos para a Terra e vice-versa. Na psicanálise, a caverna, como a casa, associa-se ao útero materno e ao elemento feminino.

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