centauro

Entre os Gregos, acreditava-se que os centauros eram descendentes de Ixíon, rei da Tessália e filho de Ares, e de uma nuvem em forma de Hera. Eram seres fantásticos, metade homens e metade cavalos, que viviam na natureza selvagem e se alimentavam de carne crua.
Ixíon ter-se-á apaixonado por Hera, esposa de Zeus, audácia pela qual este o castigou, substituindo a mulher por uma nuvem com a sua silhueta, enganando assim o atrevido pretendente. Zeus queria ver se Ixíon seria capaz de concretizar a sua sacrílega paixão por Hera, tendo assim nascido os Centauros. Estes eram seres monstruosos, metade homens (cabeça, tronco e membros superiores), metade cavalos (dorso e patas). Viviam na Tessália, na natureza selvagem e alimentavam-se de carne crua. Caçavam com ramos e pedras as suas presas. Eram habitualmente seres brutos, principalmente quando tomados pelos efeitos do vinho, a que não estavam habituados, tendo como principais vítimas da sua rudeza as mulheres. Faziam também parte da corte licenciosa e barulhenta de Dioniso.
Esta tendência ficou demonstrada num episódio que os tornou célebres. Assim, tendo sido convidados para participar na boda de Pirítoo, rei dos Lápitas, que era parente afastado dos Centauros, embriagaram-se rapidamente. Um deles, Eurítion, procurou possuir de imediato a noiva de Pirítoo, Hipodamia, e todas as mulheres presentes na festa. Perante isto, desencadeou-se uma autêntica batalha, de que saíram derrotados e após a qual lhes terá sido imposto o abandono da Tessália, a terra onde viviam. Assim nasceu um dos mais célebres motivos iconográficos clássicos e do Renascimento, a Batalha dos Lápitas, imortalizada numa das primeiras grandes obras escultóricas de Michelangelo. O principal significado desta batalha é o do triunfo da civilização sobre a barbárie e os costumes selvagens. À frente dos Lápitas esteve precisamente Pirítoo, acolitado pelo seu amigo Teseu. Um Centauro de nome Nesso terá também tentado violar Dejanira, esposa de Hércules. Este feriu-o com uma flecha fatal. No seu estertor final, Nesso terá pedido a Dejanira que recolhesse o seu sangue e o viesse a usar para fecundar um outro ser. A esposa de Hércules assim fez, ingenuamente, acreditando que seria amada para sempre por Hércules, ao qual ofereceu uma túnica com sangue do centauro Nesso. A peça ter-se-á então colado ao corpo do herói, queimando-o e provocando dores fortíssimas. Só o suicídio o poderia livrar de tal tormento.
Outros dois centauros são referidos na mitologia grega, estes de melhor índole e costumes menos selvagens. Chamavam-se Folo e Quíron, e conferiam aos centauros uma aura mais positiva, bondosa e uma maior harmonia entre o lado animal e o humano destes seres mitológicos. O primeiro (filho de Sileno e de uma ninfa, uma das Melíades) ofereceu mesmo a Hércules uma generosa e afável hospitalidade; o segundo, Quíron, filho de Filira (filha de Oceano) e de Cronos (um Titã), terá sido o precetor de vários heróis, como Aquiles, a quem educou, Asclépio (Escolápio) ou Jasão. A sua forma de Centauro devia-se ao facto de Cronos, tomado de amores por Filira, ter tomado a forma de cavalo para esconder de Reia, a esposa, a sua paixão pela filha de Oceano, que entretanto engravidara. Era famoso este centauro pela sua sabedoria e ciência. Diz-se que por ter esta ascendência divina terá sido brindado com a sabedoria e a inteligência, com particular destaque para a música, a medicina, a guerra ou a caça. Quanto a Folo, cuja lenda se cruza com a de Quíron, recebeu Hércules quando este tentava caçar o javali Erimanto. Hércules terá comido carne cozida, ao contrário de Folo, tendo também pedido vinho ao Centauro. Folo pediu-lhe então que abrisse a ânfora que Dioniso lhe oferecera - este dera-a a Folo com a condição de que teria que ser o herói a abrir a talha. Aberta a ânfora, logo o aroma do vinho atraiu os Centauros que viviam nas montanhas, estes já de uma têmpera bem mais violenta. Tentaram estes então entrar à força na caverna de Folo. Ânquio e Ágrio, os dois que primeiro tentaram entrar, foram mortos por Hércules com o archote, perseguindo depois os outros até à gruta de Quíron. Este fora então ferido no joelho por uma flecha atirada por Hércules, que lhe causara dores atrozes e o fizera desejar ser mortal para se livrar daquele sofrimento (nascera imortal este Centauro). Hércules tentou curar Quíron, mas em vão. Prometeu recebeu então de Quíron a imortalidade, e o Centauro acabou por sucumbir.
Outros Centauros célebres foram o já referido Eurítion, que tentou raptar Mnesímaque, noiva de Hércules, como Nesso tentara com Dejanira. Os costumes selvagens e a brutalidade dos Centauros eram proverbiais, como o prova uma outra tentativa de violação, a da virgem Atalante por Hileu e Reco.
Por vezes alude-se às Centauras, que viviam também nas montanhas, mas estas terão sido uma invenção artística de um pintor grego do século V a.C., de seu nome Zeuxis, não tendo qualquer dimensão ou conteúdo mitológico e por isso nenhuma expressão literária.
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