Cérbero

Cérbero é descrito tradicionalmente como tendo três cabeças (Dante, Inferno, canto VI), ainda que Hesíodo lhe tenha atribuído cinquenta.
Possuía cauda e dentes de serpente, os quais se estendiam ao longo do seu dorso (como se fossem cabeças de serpente sobre o mesmo). Como as Górgonas, o seu aspeto era tão terrível que todos os que para ele olhavam se transformavam em pedra. Quando a sua baba escorria da boca e caía ao chão, transformava-se num veneno violento, o acónito.
Tinha como função principal aterrorizar as almas que entrassem no reino dos mortos ou devorar todo e qualquer habitante desse reino do deus Hades (Infernos) que tentasse regressar ao mundo dos vivos. Mal surgiam novas sombras nos Infernos, Cérbero colocava-se junto delas, barrando-lhes o caminho de retorno ao mundo dos vivos. Apreciava apenas os mortais ainda vivos que tentavam penetrar no reino por ele guardado.
Orfeu, por exemplo, tentou encantá-lo com a sua música, tocando acordes na sua lira; a Sibila de Cumes, por seu lado, deu-lhe até um bolo encharcado em vinho envenenado, para conseguir fazer passar Eneias diante dele e entrar nos Infernos (Virgílio, Eneida, livro IV). Hércules também teve que se confrontar com este ser monstruoso das profundezas, mais precisamente no último dos seus doze trabalhos. Este desafio ao herói consistia, essencialmente, em subtrair Cérbero ao mundo inferior, uma tarefa nunca alcançada e por isso impossível de realizar. Para tal, contou com a permissão de Hades, o deus dos mortos, que, no entanto, não deixou de impor a Hércules uma condição: não usar armas para neutralizar o monstruoso canídeo, restringindo-se apenas à sua força. O herói dominou Cérbero agarrando-o com os seus braços e sufocando-o em seguida. Desta forma conseguiu Hércules trazer Cérbero até Micenas, tendo o aspeto daquele cão monstruoso terrificado Euristeu. Este, apavorado, e escondido atrás de uma jarra com medo do monstro, ordenou então a Hércules para que levasse Cérbero de novo para os Infernos.
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