Cetóbriga

Identificando-se com parte da atual cidade de Setúbal estão os vestígios da romana Caetobriga, que já Cláudio Ptolomeu referenciara na sua obra sobre a Geografia da Hispânia.

Devido aos parcos vestígios arqueológicos e ainda ao sufixo "Briga", durante longo tempo presumiu-se que Cetóbriga não tinha correspondência com a cidade de Setúbal. Contudo, em anos mais recentes, os achados postos a descoberto têm vindo a confirmar que a antiga Cetóbriga romana corresponde a parte das zonas urbanas mais baixas de Setúbal.
Na parte alta desta urbe poderá ter sido construído um Oppidum da Idade do Ferro, já que sondagens arqueológicas promovidas nessa área revelaram cerâmicas cinzentas e de engobe vermelho, estilística e formalmente filiadas numa época de ocupação fenícia ou pré-cartaginesa.

A área em que foram descobertos vestígios da urbanização romana setubalense compreende o Bairro de S. Domingos e a Praça do Bocage. O espólio e estruturas descobertas não indiciam a existência de uma cidade próspera, dado que ainda não surgiram mosaicos ou grandes sinais exteriores de riqueza.

No entanto, descobriram-se vários pavimentos em opus signinum (uma espécie de cimento feito com cal hidráulica), tijolos de colunas e abundantes fragmentos cerâmicos de ânforas. Até ao ano de 1979, a descoberta de maior impacto foram duas ânforas invioladas que continham, respetivamente, 11 091 e 7090 moedas romanas do século IV d. C.

Campanhas mais recentes revelaram diversas cetárias, o que pode indiciar a importância de Cetóbriga na produção de garum e de conservas de peixe. Vários materiais cerâmicos também foram descobertos, desde as Sigillatas itálicas até às Sigillatas claras D, cronologicamente situadas entre os séculos I e IV d. C.

Como referenciar: Cetóbriga in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-18 21:45:40]. Disponível na Internet: