China: da Destruição à Reconstrução Maoista

No período anterior à proclamação da República Popular (1949), a China era um país gigantesco, com uma população de centenas de milhões, onde faltava um rumo político e económico. A economia estava muito atrasada, permanecia dominada pelo setor agrícola, pouco desenvolvido, e a indústria, muito incipiente, estava concentrada nas mãos de empresas internacionais.
Os camponeses empobrecidos constituíam o grosso desta numerosa população, que vivia dependente dos grandes proprietários, dos funcionários do Estado e dos Senhores da Guerra (chefes militares locais).
A política era um setor muito complexo, porque à forte presença estrangeira no país (Japão, Inglaterra, Alemanha e França) aliava-se outro fator perturbador: a rivalidade entre duas forças políticas nacionais antagónicas que tentavam dominar a China, os nacionalistas do Partido Nacional Popular (Guomitang), dirigido por Chiang Kai-shek e os comunistas do Partido Comunista Chinês, liderado por Mao Tse Tung (ou Mao Zedong).
Até à Segunda Guerra Mundial, os partidários destas duas fações lutaram entre si. Com a ocupação da China pelo Japão (1937), os comunistas insurgiram-se contra o invasor, através de ações de guerrilha, o que os tornou muito populares junto da população chinesa. Os camponeses tornaram-se assim a base de apoio dos comunistas, enquanto os nacionalistas ficavam cada vez mais isolados.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os japoneses são expulsos do território chinês e os comunistas recusam-se a colaborar com os nacionalistas, uma posição que conduziu à guerra civil (1945-49); este conflito terminou em 1949 com a vitória dos comunistas e a expulsão das forças de Chiang Kai-shek para Taiwan (Formosa).
A 1 de outubro de 1949, foi proclamada, em Pequim, a República Popular da China. Mao Tse Tung, foi nomeado presidente do Conselho do Governo e Zhou Enlai presidente do Conselho da Administração do Estado.
Mal os comunistas chegaram ao poder, foram confrontados com dois graves problemas: a pobreza dos camponeses e a necessidade de reorganização do país. Entre 1949 e 1952, Mao Tsé Tung (1893-1976) orientou politicamente a sua atuação para a reconstrução económica e a instauração de uma nova sociedade. Para a implementação do seu programa político procedeu à liquidação dos últimos redutos da resistência nacionalista, procurou recuperar a produção agrícola e industrial, aboliu a velha organização social e familiar, instaurou a igualdade entre sexos (pela lei do casamento de 1950) e expropriou as terras dos grandes senhores, que redistribuiu pelos camponeses.
Na década de 50, Mao Tsé Tung manteve um bom relacionamento com a União Soviética, alicerçado com a aliança económica e ideológica, celebrada no Tratado de 1950. Mao iniciou a socialização da economia pela coletivização da agricultura (associação dos pequenos e médios agricultores em cooperativas), pela socialização da indústria (agrupamento das pequenas empresas em cooperativas e nacionalização das grandes empresas) e pela planificação da economia (o 1.º plano quinquenal " 1953/57).
Com a Constituição de 1954, institucionalizou um regime de partido único, semelhante ao soviético. Mas o fracasso do 1.º plano quinquenal, na agricultura e na indústria ligeira, face a um rápido aumento da população e ao crescimento do desemprego, fez surgir algumas vozes contrárias à coletivização.
A este cenário de descontentamento Mao responde com a campanha das "Cem Flores" (1956-57), com o intuito de reforçar o seu regime. No decorrer desta campanha surgiram duras críticas, vindas do interior do partido, que foram prontamente reprimidas.
A China renunciou então ao modelo russo o que provocou a retirada dos soviéticos da China e o fim da cooperação entre os dois países. Em 1958 (1958-60) Mao Tse Tung pôs em ação o chamado "Grande Salto em Frente", com o objetivo de construir uma via original para o socialismo e o comunismo da China.
A agricultura e a indústria foram as suas apostas para os meios rurais de forma a combater a fome e a miséria; enquanto isso, a propaganda apelava ao esforço revolucionário e desenvolviam-se comunas populares. Todavia, este plano revelou-se ineficaz.
Foi tentado um novo reajustamento económico e uma aproximação ao Japão e às potências ocidentais, uma política que desagradava ao líder chinês, que reintensificou o processo revolucionário e relançou o combate ao aburguesamento dos costumes, através da campanha de formação da juventude e da dinamização da vida rural e cultural.
Deu-se assim início à Revolução Cultural (1966-71), que pretendia reorganizar o poder, desviar a cultura do controlo da burguesia e substituir a cultura tradicional por uma nova cultura que seguisse os ensinamentos do Livro Vermelho.
A partir de 1966, estudantes e operários formaram brigadas de Guardas-Vermelhos, que desenvolveram ações de propaganda, denunciaram os reacionários e geraram violência e anarquia. Apesar deste clima de tensão e da China se afastar, cada vez mais, do resto do mundo, a economia não se ressentiu.
Mao manteve-se no poder até à morte, gozando de um prestígio e força inabaláveis, definindo áreas de atuação prioritárias e, inclusive, a sua sucessão.
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