Chiyo-ni

Poetisa japonesa, também conhecida como Kaga no Chiyo e Matto no Chiyo, é provavelmente a mais célebre poetisa de haiku.
Nasceu em 1703, em Matto, numa família de negociantes e artesãos, e faleceu em 1775. A família Fukumasuya montava os rolos de pintura e caligrafia conhecidos como kakejiku, sendo a casa frequentada por inúmeros artistas da região. A informação sobre a infância de Chiyo-ni é incompleta, mas conta-se que compôs o seu primeiro haiku com seis anos de idade. Aos doze, foi enviada para casa de Hansui (1684-1775), um mestre de haiku, onde serviu durante alguns anos, desenvolvendo assim a sua educação na arte da caligrafia e da poesia. Na região de Matto havia muitos poetas e a influência de Basho ainda se fazia sentir. Um dos seus discípulos, Shiko Kagami (1665-1773) tornou-se um dos principais professores de Chiyo-ni. Esta estudou igualmente pintura com vários professores, arte que com a caligrafia e a poesia formava "as três perfeições". Publicou os primeiros haikus aos dezanove anos. No segundo volume do Zoku Kinsei Kijinden ("Pessoas Famosas de Edo") menciona-se um possível casamento com Yaha chi Fu Kuoka, por altura dos 18 anos. Segundo esse relato, tanto o marido como o filho teriam morrido pouco tempo depois.
Aos vinte anos Chiyo-ni voltou para casa dos pais e consagrou-se quase totalmente à atividade literária, estabelecendo relações e mantendo correspondência com muitos artistas da época e participando nos encontros de poesia em Kyoto. O seu nome começava já a ser conhecido. Aos trinta anos, depois da morte dos pais e do irmão, teve de assumir a administração do negócio da família, que a ocupou quase completamente durante cerca de vinte anos. Em 1754, com 52 anos de idade, Chiyo-ni tornou-se uma monja budista da escola Terra Pura, passando nesta altura a ser conhecida por Chiyo-ni (ni significa monja). Este é também o período de maior maturidade e profundidade da sua obra. Escolheu o nome religioso de Soen ("Simples Jardim") e com ele assinou algumas das suas pinturas e poesias. Continuava a viver na casa de Matto, embora passasse alguns períodos de treino no templo Sainen-in. O novo estatuto de monja dava-lhe uma grande liberdade, sobretudo em comparação com a generalidade das mulheres da sua época, confinadas à vida de casa e obrigadas a obedecer aos membros masculinos da família. Chiyo-ni manteve muitas relações no meio artístico, viajou, colaborou com outros artistas e samurais, recebeu vários convites oficiais para produzir obras a serem enviadas como presentes a governos estrangeiros. Era bastante comum que os poetas haiku combinassem a poesia com a ilustração no mesmo papel, trabalho conhecido como haiga, uma pintura haiku. A qualidade da pintura de Chiyo-ni fez com que a sua poesia se tornasse ainda mais popular. Para além dos haiga, também pintou retratos e fez vários auto-retratos.
A parte final da vida de Chiyo-ni foi também a mais ativa do ponto de vista artístico. Publicou duas coleções de trabalhos e os seus poemas foram incluídos em cerca de 120 antologias. Morreu com setenta e dois anos de idade. No total, teria deixado uma obra de cerca de 1 700 haikus, e a sua imagem perdurou na memória popular através de histórias, canções, ilustrações e peças de teatro.
Como referenciar: Chiyo-ni in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-17 05:33:24]. Disponível na Internet: