Christoph Willibald Gluck

Compositor clássico alemão, que nasceu em 1714, em Erasbach, na Baviera, Alemanha, e morreu em 1787, em Viena, Áustria. Ficou conhecido pelas óperas que compôs, nomeadamente Orfeo ed Eurydice (1762), Alceste (1767), Paride ed Elena (1770), Iphigénie en Aulide (1774), a versão francesa de Orfeo (1774) e Iphigéne en Tauride (1779).
Gluck iniciou os seus estudos musicais num colégio jesuíta de Komotau, onde aprendeu canto, piano, órgão e violino. Em 1731 partiu para Praga, onde tocou em várias igrejas, ingressou na universidade e continuou a estudar música. Em 1735 viajou para Viena, onde conheceu um nobre que o levou para Milão. Aí estudou composição com o organista e compositor Giovanni Battista Sammartini, aprendendo o novo estilo italiano da música instrumental. Em 1741, no Teatro Ducal, em Milão, Gluck obteve um enorme sucesso com a sua primeira ópera Artaserse. Até 1745, no mesmo teatro, sucederam-se várias óperas anuais: Demofoonte (1742), Arsace (1743), Sofonisba (1744) e Ippolito (1745). Na mesma altura, Gluck compôs Cleonice (Demetrio) (1742) e La Finta Schiava a Pasticcio (1744), para Veneza; Il Tigrane (1743), para Crema; e Poro (1744), para Turim. Com estes primeiros trabalhos, Gluck tornou-se num importante compositor dramático. Em 1745, viajou para Londres a convite do Lord Middlesex e, um ano depois, a sua ópera La Caduta de' Giganti foi representada. Nesse ano, subiu ao palco Artamene, a segunda ópera escrita em Londres. Nenhuma das duas composições teve sucesso. Nesse ano Gluck e Haendel deram um concerto juntos no Teatro de Haymarket, com trabalhos de Gluck e um concerto para órgão de Haendel. Depois de Londres, Gluck visitou Paris e tomou contacto com a ópera de Rameau, cujo dramatismo o levou a alterar a sua conceção de teatro musical. De regresso a Viena, aprofundou a estética musical e estudou a língua e a literatura de vários países, o que o levou a conviver com a sociedade culta. Nesse círculo conheceu o Duque de Lafões, D. João de Bragança, a quem dedicou a ópera Paride ed Elena. Algum tempo depois, viajou para Praga, onde compôs Ezio (1750) e Issipile (1751-53). Em 1755, a ópera-serenata La Danza foi representada no Castelo Imperial de Viena e, no mesmo ano, compôs L'Innocenza Giustificata. A partir de 1758, Gluck tornou-se mais independente e compôs La Fausse Esclave, L'Île de Merlin (1758), La Cythère Assiégée (1759), L'Ivrogne Corrigé (1760) e Le Cadi Dupé (1761). Alguns anos depois compôs peças para bailados dramáticos, como Semiramide e Iphigénie (1765) e Achille (1770). Em 1772, foi representada a ópera Iphigénie en Aulide, na Ópera de Paris. Dois anos depois, a sua ópera Orfeo alcançou um enorme sucesso.
Gluck passou os últimos oito anos da sua vida em Viena, compondo Klopstocks Oden und Lieder e Echo et Narcisse. Nessa altura, com a colaboração do poeta J.B. von Alxinger, compôs a versão alemã de Iphigénie en Tauride. Em 1781 sofreu uma apoplexia, que o paralisou parcialmente. Em 1787 morreu e, dois dias depois, foi sepultado no cemitério principal de Viena
Ainda hoje, Gluck é visto como um dos maiores reformistas da ópera, quebrando algumas regras de composição da sua época e introduzindo novos elementos. Foi por isso considerado um iconoclasta, talvez injustamente, e não teve, em vida, o reconhecimento que merecia pelo seu trabalho. Contudo, gradualmente, as suas conceções foram sendo assimiladas. Autores como Piccinini, primeiro, e Cherubini, depois, inspiraram-se nas fórmulas de Gluck para compor. A maior vitória de Gluck foi conseguida pela longevidade da sua música, pela influência e pelo legado que deixou, traduzido na perfeição pela sua obra mais emblemática, Orfeo ed Euridice.
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