cinema de terror

Algumas das obras mais importantes deste género de cinema são raridades numa filmografia de fantástico e terror muito vasta ao longo dos tempos. Foi o caso de O Malvado Zaroff (1932) de Ernest B. Schoedsack e Irving Pichel, A Sombra do Caçador (1955) de Charles Laughton, O Anjo Exterminador (1962) de Luis Buñuel ou ainda Vampyr ou L'etrange aventure de David Grey (1931) de Carl Dreyer e O Último Ano em Marienbad (1961) de Alain Resnais.
O cinema de terror é talvez o género mais popular e divulgado da Sétima Arte e se são muitos os filmes de qualidade menor ou média como os muitos "Frankensteins" de série, também existem filmes de grande qualidade, talvez não tão populares junto do grande público. A este respeito, abrange temas tão diversos como A Parada dos Monstros (1932) de Tod Browning, A Pantera (1942) de Jacques Tourneur ou A Mulher que Viveu Duas Vezes (1958) de Alfred Hitchcock. O cinema de terror funde-se muitas vezes com outros géneros, como é o caso da ficção científica, em filmes como Dr. Mabuse, o Jogador e Matou de Fritz Lang, ou com o género de cinema fantástico como é o caso de O Ladrão de Bagdad (1924) de Raoul Walsh ou Horizonte Perdido (1937) de Frank Capra.
O cinema de terror foi campo ainda para a introdução de temas como o erotismo, em alturas de censura mais severa. Existe erotismo em King Kong (1933) de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, nos vários filmes de vampirismo ou em Repulsa (1965) de Roman Polanski. O cinema de terror criou ainda os seus próprios mitos e se Golem, Frankenstein e Drácula são mitos que nasceram na literatura, já Caligari, a Múmia e Zaroff, embora existindo em original literário, elevaram-se à condição de mitos no cinema. A temática do terror é muito antiga e já fazia parte dos folhetins, dos romances e dos teatros de feira. Foi levada para o cinema com os mesmos elementos que provocavam as sensações de terror. Foi o caso de filmes como O testamento de Dr. Mabuse (1932) de Fritz Lang, O Legado Tenebroso (1927) de Paul Leni, Drácula (1931) de Tod Browning, Frankenstein, O Homem que Criou um Monstro (1935) de James Whale ou Que Teria Acontecido a Baby Jane? (1962) de Robert Aldrich. A face popular não foi a única e este género assume também uma vertente mais intelectual em filmes como Terra Sem Pão (1932) de Luis Buñuel em que o terror está na realidade do dia a dia, O Criado (1963) de Losey, Fellini Oito e Meio (1963) de Federico Fellini ou Blow Up - História de um Fotógrafo (1966) de Michelangelo Antonioni.
Alfred Hitchcock foi o mestre do terror psicológico de que um dos exemplos mais marcantes foi o célebre Psyco (1960). Roman Polanski em Repulsa ou o Estrangulador de Bóston (1967) de Richard Fleischer seguem o mesmo caminho, o do terror que existe por detrás de uma capa de inocência. O "jogo psicológico" nestes filmes é feito com o espectador, a verdadeira vítima voluntária que através do cinema consegue projetar os seus medos e sentir-se mais seguro. O terror "cola-se" ainda a outros temas como os filmes psicológicos ou de amnésia derivados da moda do freudismo, cujos títulos mais célebres são A Noiva Perdida (1942) de Mervyn Le Roy, Casa Encantada de Alfred Hitchcock ou Anastasia (1956) de Anatole Litvak. O amor pode ainda levar ao terror, como é o caso de A Mulher que Viveu Duas Vezes de Alfred Hitchcock ou O Monte dos Vendavais (1955) de Luis Buñuel, entre muitos outros exemplos possíveis. O terror também invadiu o mundo infantil em, por exemplo, Cabelos Verdes (1948) de Joseph Losey e em Os Inocentes (1961) de Jack Clayton.
Edgar Allan Põe foi um dos escritores que mais contribuiu com temas para argumentos de filmes de terror, ao lado de Bram Stoker ou Mary Shelley. Este universo que incluiu vampiros, monstros, pactos com o diabo, humanoides extraterrestres, macacos gigantes, fantasmas, múmias, lobisomens, mortos-vivos, bruxas e feiticeiros é um género que continua a ser mais atual do que nunca e a encher as salas de cinema de todo o mundo.
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