cisticercose

A cisticercose é uma infeção parasitária inserida no grupo das zoonoses. O agente causador é a forma larvária (Cysticercus cellulosae) do Helminta Taenia Solium, membro da família Taenidae.
Este parasita apresenta um ciclo de vida com metamorfoses, funcionando o intestino humano como hospedeiro definitivo da forma adulta e o porco como hospedeiro intermédio, alojando as formas larvares. Nesta situação típica da infeção, a patologia desencadeada é a teníase, cuja evolução é geralmente benigna e assintomática, ocorrendo complicações apenas nos casos, raros, em que o parasita gera obstruções, por exemplo, ao nível do apêndice, canal colédoco ou pancreático.
A cisticercose surge como resultado de uma infeção atípica, em que o homem funciona como hospedeiro intermediário. A infeção inicia-se pela ingestão de água ou legumes contaminados com ovos do parasita, devido a contaminação fecal, ou de carne de porco mal cozinhada e com cisticercos (formas larvares enquistadas, no tecido muscular). O ovos passam ao longo do tubo digestivo, sendo as camadas envolventes digeridas por ação do suco gástrico e pancreático, ao nível do intestino delgado, libertando-se formas larvares. Estas, por sua vez, após um curto período de permanência, atravessam a parede intestinal, entrando na circulação sanguínea, que as distribui por todo o corpo. O paciente infetado com a forma adulta de Taenia solium funciona como um agente disseminador, libertando abundantes quantidades de ovos nas fezes. Dependendo do número de agentes infetantes, resposta imunológica e localização das larvas nos tecidos, onde enquista, formando pequenas vesículas cheias de fluido (cisticercos), a infeção assume diferentes graus de gravidade. As formas mais benignas localizam-se subcutaneamente ou a nível muscular, enquanto que quadros clínicos mais graves são desencadeados pela presença ao nível do sistema nervoso central. Podem ainda ocorrer situações complexas, devido à presença de cisticercos nos olhos e músculo cardíaco.
Os cisticercos demoram cerca de dois meses a desenvolverem-se, atingindo um tamanho entre os 50 e os 130 mm. Localmente, desenvolve-se uma reação inflamatória, com formação de um granuloma, acompanhado de edema tecidular. Geralmente, o cisticerco evolui para uma forma inativa, mineralizada, restando um grânulo envolto por uma cápsula de tecido conjuntivo denso.
Os sintomas variam com os órgãos onde o parasita se aloja. A infeção do sistema nervoso central pode desencadear crises convulsivas, hipertensão intracraniana, aracnoidite, hidrocefalia, inflamação das meninges, epilepsia e alterações do comportamento, entre outras perturbações neuropsíquicas.
O período de incubação é muito variável, oscilando entre duas semanas e vários anos.
O diagnóstico, dificultado pela variabilidade de sintomas possíveis, pode ser feito por técnicas de imagiologia, que permitem a observação dos cisticercos nos tecidos (raio X, ressonância magnética ou tomografia axial computadorizada), ou por testes bioquímicos, nomeadamente, da presença de anticorpos específicos.
A prevenção da doença assenta, sobretudo, na correta confeção dos alimentos, cozinhando bem a carne de porco e promovendo uma adequada lavagem de legumes e frutos de cultura ao nível do solo (por exemplo, morangos). A presença de adequadas medidas sanitárias, reduzindo a contaminação fecal, o abastecimento com água tratada e uma correta higiene das pocilgas são fatores cruciais para a erradicação da doença.
O abate de suínos sem controlo sanitário é a principal causa para a elevada incidência desta parasitose em países de África, América do Sul, América Central e Caribe. A nível mundial, esse valor é estimado em 0,1%, segundo a OMS.

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