Civilização Minoica e o Egeu

Os primeiros povos gregos apareceram por volta do ano 2000 a. C.; eram os chamados povos pré-helénicos de origem indo-europeia, que trouxeram técnicas e experiências do Egito e do Oriente, zonas que eram então mais desenvolvidas.
Cerca de 4000 a. C. (período neolítico) o mundo do Egeu deu início ao processo de domínio da natureza que lhe permitiu a adoção da agricultura, a domesticação de animais e o estabelecimento de núcleos habitacionais; a adoção de técnicas e práticas importadas do Oriente onde já há milénios se tinha dado esta revolução. Cerca de 3200 a. C., foi introduzido o trabalho do metal, pela mão de emigrantes que de Troia ultrapassaram o planalto da Anatólia.
As ilhas Cíclades, no mar Egeu, foram pioneiras na passagem para a Idade do Bronze. A partir deste período o domínio dos metais possibilitou a produção de instrumentos aplicáveis a situações da vida quotidiana; outra matéria-prima que dominavam era o mármore. Apesar do seu relativo desenvolvimento não há quaisquer vestígios de escrita. Entre 1600 e 1400 a. C., Cnossos, em Creta, com o seu famoso palácio, atingiu o seu apogeu. O palácio de Cnossos, o seu edifício mais emblemático, é composto por um conjunto de construções reunidas em volta de um amplo pátio interior. Neste espaço, os arqueólogos encontraram inúmeros objetos como vasos de esteatite e recipientes de alabastro, entre os quais se destacam os que eram utilizados no culto religioso. Para este povo a adoração dos seus deuses era feita no interior do palácio, em grutas ou ao ar livre, mas nunca em edifícios construídos para o exclusivo objetivo do culto, daí não se conhecerem templos em Cnossos.
A decoração do palácio de Cnossos é feita através de frescos onde se representam pictoricamente cenas religiosas como procissões e cenas da vida natural onde abundam os golfinhos e os patos-bravos. A Civilização Cretense durante a Idade do Bronze desenvolveu três fases distintas denominadas minoicas, um nome derivado do lendário rei Minos. Esta civilização embora estivesse desfasada relativamente às ilhas Cíclades, que apresentavam um maior grau de desenvolvimento, no Minoico Antigo (2700-2000 a. C.) desenvolveram contactos com a região do Próximo Oriente e produziram vasos de pedra, carimbos e alguns artefactos de ouro.
No Minoico Médio (2000-1750 a. C.) deu-se um incremento das trocas entre Creta e outras regiões do Mediterrâneo oriental. Em Cnossos, Mália e Festos foram edificados majestosos e complexos palácios, enquanto os seus artesãos se dedicavam à especialização da produção de pequenas peças em terracota.
O último período, o Minoico Recente (1750-1400 a. C.), foi a época da reconstrução dos palácios, coincidente com o apogeu de Cnossos, quando o seu palácio recebeu as pinturas religiosas e profanas. Entre 1450 e 1400 a. C. os micenenses ocuparam Cnossos e o seu palácio foi definitivamente abandonado.
A ilha de Tera, atualmente Santorini, uma das Cíclades, no período entre 1600 e 1500 a. C., em termos civilizacionais, era comparável a Creta. O seu desenvolvimento foi contudo travado pela natureza vulcânica na ilha. Em 1500 o vulcão começou a entrar em atividade, provocando a fuga dos seus habitantes, registando-se provavelmente a mais violenta erupção da Antiguidade, que provocou maremotos destruidores. A área central da ilha foi consumida pelas águas, e Akrotiri ficou subterrada pelas cinzas. Só na Época Contemporânea a atividade dos arqueólogos conseguiu recuperar parcialmente os danos provocados pelo vulcão.
No final da Idade do Bronze (1600-1100 a. C.) a Civilização Micénica beneficiou da sua intensa atividade comercial. A estrutura social deste povo guerreiro e avançado a nível técnico é relativamente conhecida através das tabuinhas ditas de Linear B. Este povo edificava cidadelas, túmulos de forma circular (Tholos), e produzia sistemas de rega e de drenagem.
Após o seu ponto alto, entre 1500 e 1300 a. C., foi assolada por uma grave crise. As fortificações terrestres foram reforçadas, e no mar as trocas com o Próximo Oriente estavam difíceis. Após a expedição a Troia em 1184 a. C., incursões e catástrofes naturais debilitaram a Civilização Micénica. No início da Idade de Ferro (1050 a. C.) já se esgotara a pujança do passado. Só três séculos depois é que cidades como Atenas retomaram o seu protagonismo.
A guerra de Troia é descrita pelo poeta grego Homero numa das suas obras, a Ilíada. Neste poema épico conta-se que o príncipe troiano Páris raptou Helena, a mulher de Menelau, o rei de Esparta. Agamémnon, rei de Micenas e irmão de Menelau, seguiu para a Ásia Menor. Troia foi cercada por um período de dez anos e a vitória acabou por ser dos gregos. Outro poema épico do mesmo autor, a Odisseia, narra o regresso do herói Ulisses a Ítaca, a sua terra natal, depois de ter brilhado nessa guerra.
Cnossos está intimamente ligada a uma lenda da Antiguidade, a Lenda do Minotauro, que conta a história de um bravo jovem que ousou desafiar a sorte e aventurar-se no labirinto de Cnossos, na ilha de Creta. Conta a lenda que o Minotauro, um ser híbrido meio homem meio touro, habitava num labirinto todos os anos visitado por um grupo de sete jovens que o tentavam vencer. Todos falharam exceto Teseu, um jovem por quem se tinha enamorado Ariadne, a filha do rei, que por ele esperou, fazendo e desfazendo a sua teia, enquanto que o seu apaixonado se salvara, depois de matar o Minotauro, ao sair do intrincado labirinto através do fio que a jovem lhe dera.
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