classe social

Classe social é a espécie dominante de estratificação social que se encontra no mundo moderno. O conceito surgiu no século XIX para descrever os grandes grupos hierárquicos das sociedades da Europa Ocidental, refletindo as mudanças ocorridas na estrutura social com as revoluções política e industrial dos finais do século XVIII. As antigas classificações em "estados", "ordens", ou "castas" deixaram de fazer sentido face ao desenvolvimento de novos grupos sociais, como o dos capitalistas industriais ou as classes trabalhadoras fabris. A principal tradição teórica na análise de classes deriva da obra de K. Marx. Este teórico tomou como ponto de referência a posse do capital e dos meios de produção. Marx distinguiu três classes fundamentais: os latifundiários, possuidores da terra, os capitalistas ("burguesia") possuidores do capital, e o proletariado (classe operária), possuidor da sua força de trabalho. Reconhecia também a existência de grupos que não se encaixavam nesta delimitação (como os camponeses e os pequenos proprietários) mas considerava-os resquícios da era pré-capitalista que acabariam por desaparecer com o avanço do capitalismo. Para Marx, as classes são o motor do desenvolvimento social e, apesar de antagónicas, não estão necessariamente sempre em conflito direto e aberto. Esse conflito aberto só ocorre quando à situação objetiva da posição no sistema de produção se acrescenta o fator subjetivo da consciência de classe, ou, por outras palavras, quando a "classe em si" passa a ser uma "classe para si". Este fator demonstra que, ao contrário do que é por vezes afirmado, Marx não definiu classes sociais em termos unicamente objetivos e económicos.
M. Weber, por seu lado, distinguiu analiticamente três grandes classes - a classe dos capitalistas positivamente privilegiados, a dos capitalistas negativamente privilegiados e as classes médias - cada uma delas comportando mais do que um estrato. Sublinhou, por exemplo, os aspetos da religião, do nacionalismo como desempenhando um papel a par dos aspetos estritamente económicos.
No século XX, os desenvolvimentos da teoria sociológica e das investigações no terreno deram origem a várias classificações de classes, por vezes não redutíveis aos três grandes grupos de classe alta, média e baixa. O avanço do capitalismo fez surgir grupos não classificáveis à luz da mera propriedade dos meios de produção, como é o caso dos gestores, que usualmente não detêm nem o capital nem a força de trabalho. Para vários autores, os membros da sociedade alinham-se num continuum social onde não se encontram quebras suscetíveis de distinguir classes sociais estanques. Muitos sociólogos criticaram a análise de classe considerando-a desadequada para dar conta da realidade nas sociedades atuais. Segundo esses autores, as altas taxas de mobilidade social tornaram o conceito de classe incapaz de determinar as oportunidades que se oferecem aos diferentes grupos sociais. Argumentam que há outros princípios de estratificação importantes (por exemplo: o tipo de residência, a identificação política, os estilos de vida, o género, a raça...) e que as pessoas já não pensam nem agem com base em estritas diferenciações de classe. Esta perspetiva é polémica e continuam a existir defensores da validade e atualidade da análise de classes.
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