Clavis Prophetarum

Esta foi a obra "tão cansada e suada" da velhice de António Vieira, que este considerava como a sua obra capital. O padre Bonucci, que assistia Vieira para concluir este tratado profético, escreveu poucos dias antes da morte do autor que, com a ajuda de Deus, a Clavis poderia ficar pronta no ano seguinte. Depois do falecimento de António Vieira, ele ficou encarregado de acabar a obra, mas, adiando o trabalho que lhe parecia agora mais difícil e coligindo outros escritos dispersos do seu mestre, acabou por não o fazer. Em 1700, foi enviada uma cópia desta obra para Roma, onde se perdeu, apesar de ter já sido transcrita algumas vezes. Em 1714, o autógrafo chegou a Lisboa, onde foi ordenado pelo padre Carlos António Casnedi, que tentou estruturar os cadernos de Vieira e resumir em Latim o seu conteúdo, munindo-o de algumas opiniões pessoais. A única parte publicada da obra continua a ser, até à atualidade, este resumo.Vieira defendia, nesta obra, algumas teses que, segundo o padre Casnedi, poderiam chocar algumas consciências. Considerava que os ameríndios viviam numa "ignorância invencível", tanto de Deus como do direito natural, circunstância essa que os livrava do eterno castigo do Inferno. Julgava ainda que a Terra Santa deveria ser restituída aos judeus e que a reconstrução do Templo de Jerusalém deveria ser permitida, para que pudessem oferecer os seus sacrifícios e praticar os ritos prescritos pela lei mosaica, apesar da sua conversão ao catolicismo. Acreditava, por fim, na probabilidade, dentro de maior ou menor espaço de tempo, da segunda vinda do Senhor: "Não vos pertence conhecer o tempo nem o momento que o Pai estabeleceu em seu poder" (Atos 1, 7).
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