Clube dos Poetas Mortos

Neste filme dramático dirigido por Peter Weir em 1989, intitulado no original Dead Poets Society, a ação desenrola-se em finais da década de 50 num prestigiado e conservador colégio interno norte-americano, onde John Keating (Robin Williams) é contratado para lecionar a disciplina de Literatura Britânica. Entre os seus principais alunos, contam-se Todd Anderson (Ethan Hawke), um jovem extremamente tímido que vive obcecado pela ideia de ser tão bom como o seu irmão mais velho, que fora o melhor aluno da mesma instituição, e o seu colega de quarto Neil Perry (Robert Sean Leonard), extremamente popular e protegido pelo seu pai, um médico bem-sucedido. Num colégio onde a tradição, ordem e rigor são os principais lemas, Keating utiliza métodos pedagógicos revolucionários e pouco ortodoxos, incentivando os seus alunos a rasgar páginas de livros e a utilizar como lema de vida o carpe diem, argumentando que a vida é curta e é necessário aproveitá-la ao máximo. Desafiando o statu quo estabelecido, Keating provoca a fúria dos diretores do colégio e dos pais, mas torna-se venerado pelos seus alunos, que descobrem a alegria juvenil de viver, recusando-se a ser objeto da vontade dos seus pais. Em homenagem ao professor, fundam o Clube dos Poetas Mortos, reunindo-se secretamente num bosque, onde travam conhecimento com obras de grandes mestres da literatura e privilegiam o desenvolvimento pessoal. Mas a tragédia bate às portas do colégio quando Neil se suicida devido à grande pressão do pai em impor-lhe uma escolha de carreira. Keating é responsabilizado pelo sucedido e é expulso da instituição. A par de Batman, este filme foi o maior êxito comercial de 1989, especialmente entre o público adolescente, que se identificou com o argumento assinado por Tom Schulman, que propôs uma visão existencialista sobre uma América conformista e que viu o seu esforço ser premiado com um Óscar, curiosamente o único que o filme venceu. O clímax do filme é, sem dúvida, a comovente cena final, quando os alunos de Keating, na sua aula de despedida, desafiam o sistema e recitam em coro o poema de Walt Whitman, Oh Captain, My Captain, escrito pelo poeta em homenagem a Abraham Lincoln. Outros pontos fortes são a partitura musical de autoria de Maurice Jarre e a direção de fotografia a cargo de John Seale. Mas a figura máxima é Robin Williams, que assina aqui um desempenho portentoso, tendo recebido uma merecida nomeação para o Óscar de Melhor Ator como professor que combate uma visão de ensino tradicionalista e uma abordagem tecnicista e mensurável da literatura. A película recebeu ainda a nomeação para o Óscar de Melhor Filme, tendo perdido para um filme mais politicamente correto, Miss Daisy (1989).
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