Coiote (mitologia)

Entre os povos nativos americanos, esta divindade podia possuir diversas personalidades e formas. Nasceu do chão, assim como o seu cão Rattlesnake.
Aparece como criador (Velho Coiote), que origina ao enunciar o nome da coisa ou a partir de lama moldada, sendo sob esta forma o Coiote o seu irmão ou companheiro inseparável. É defendida a ideia (por A. Hultkranz) de que o Grande Espírito, cujo nome só podia ser pronunciado num ritual particular, teria sido substituído por esta versão do deus Coiote.
Esta divindade pode ser também apresentada como alguém maldoso e enganador, como um herói que ajuda os homens ou como um mensageiro (para as tribos do Noroeste banhado pelo Pacífico, em que este deus é secundário sendo inclusivamente detestado), tendo a capacidade de se metamorfosear.
Noutras tribos é equiparado ao Criador, apesar de este ter o poder supremo e o poder de castigar. Entre o povo Wasco, esta divindade tinha conseguido salvar os homens do morticínio causado pelo Pássaro Trovão matando-o com a ajuda do Espírito Supremo. Este povo considerava que o rival do Coiote era o Corvo, representando-se este conflito pela atribuição das cataratas de Multnomah a um ou a outro, sem se chegar a um consenso.
Há histórias que o apresentam como fornecedor de artefactos mágicos aos homens e capaz de alterar a paisagem movendo montanhas e rios. Aparece representado por vezes sob a forma de um jovem.
O Coiote faz parte do mito da criação dos índios navajo, que concebiam o mundo como uma sucessão de mundos. Assim, o Coiote, o primeiro Homem e a primeira Mulher regiam o primeiro; passaram ao segundo porque o primeiro era demasiado acanhado para os três. Mas neste segundo moravam a Lua e o Sol, além dos que viviam nos pontos cardeais; quando o Sol se enamorou da primeira Mulher o Coiote fez com que os que viviam nos pontos cardeais interviessem para resolver o problema. Assentou-se que passariam para o terceiro mundo, mais vasto e que permitia uma separação. Este tinha quatro montanhas e quatro oceanos, e os habitantes das montanhas avisaram-nos para não perturbarem o monstro que vivia no mar, advertência desrespeitada pelo Coiote, que ao achar os filhos do monstro belíssimos os raptou. O monstro fez transbordar as águas como vingança, obrigando os habitantes a plantar um rosal para ascenderem ao quarto mundo, que ainda não servia. E finalmente o primeiro Homem e a primeira Mulher fizeram com que os navajo chegassem ao quinto mundo, o atual.
Acreditava-se que esta divindade tinha trazido à terra a morte, a dor e a doença para tornar a vida dos homens mais interessante, pois tinha observado Wonomi a criar o Homem e achou que a vida que lhes deu era demasiado fácil. Tentou também originar seres humanos, porém Wonomi riu-se das suas intenções e os seres ficaram com olhos de vidro.
A primeira vítima das desgraças proporcionadas pelo Coiote foi o filho do primeiro Homem e da primeira Mulher, morto pela fatal mordida do cão Rattlesnake.
O Coiote apenas morreria na luta contra as constelações, provocando a sua morte a de todos os seres humanos até se extinguir a Humanidade. Como alternativa vagueava na terra sob a forma de espírito depois de se ter suicidado.
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