Colegiada de Guimarães

Embora tenha sido fundada por Mumadona Dias no século X, a Colegiada de Guimarães ou de N. S. da Oliveira foi reformada no último quartel do século XIV, após a vitória de D. João I na Batalha de Aljubarrota. A igreja seria consagrada no ano de 1401, na presença deste monarca, e foi uma construção projetada pelo arquiteto João Garcia. No âmbito da arte gótica trecentista, conserva ainda o seu pequeno e formoso claustro românico do século XIII. O edifício foi objeto de várias reformas posteriores, que alteraram parte do seu perfil ogival. As dependências conventuais e o claustro românico acolhem o precioso Museu de Alberto Sampaio.
No âmbito da arte gótica trecentista, N. S. da Oliveira apresenta uma fachada com portal ogival de três arquivoltas assente em seis pequenas colunas. Este portal axial é sobrepujado por janelão ogival entaipado, decorado nas arquivoltas e nos intercolúnios por estátuas de santos sob nichos e baldaquinos, de belo recorte e fino lavor. Lateralmente ergue-se uma torre sineira com várias aberturas e coroada por merlões, reformada na época de D. Manuel I, onde se destaca, no andar térreo, uma decorativa janela manuelina fechada por gradeamento de ferro. No terreiro fronteiro ao templo foi erguido, em 1342, um alpendre gótico abrigando um Cruzeiro, monumento de origem normanda evocativo da Batalha do Salado e patrocinado por D. Afonso IV.
O interior da igreja apresenta três naves, a central de maior altura, divididas em três tramos por arcaria ogival assente em grossos pilares de colunas adossadas. A iluminação do corpo é feita por fenestrações geminadas e abertas na parte superior da nave central. A capela-mor, de planta retangular, foi reformada no último quartel do século XVIII, sob os auspícios de D. Pedro II, sofrendo novas modificações no século seguinte. Como resultado dessas intervenções, nota-se uma coabitação de estilos que vão desde o Barroco nacional, passando pelo rocaille e terminando no Neoclassicismo. No trono do altar-mor figura a estátua de N. S. da Oliveira, dispondo-se um cadeiral ao longo das paredes do coro baixo. A cobertura é feita por abóbada de caixotões.
A capela do Evangelho, consagrada ao Sagrado Coração de Jesus, é de feição neoclássica, apesar de apresentar uma abóbada gótica nervada. Na colateral da Epístola, dedicada ao S. Sacramento e igualmente neoclássica, observa-se o magnífico sacrário de prata, obra setecentista de influência indo-portuguesa e que foi aumentada no século XIX.
Os frisos que correm ao longo do travejamento da cobertura da nave central e do transepto são decorados por pinturas do século XV, reveladas pelo trabalho de restauro feito na década de 70 pela Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). No meio da decoração geométrica fitomórfica e zoomórfica desvendam-se símbolos heráldicos e cenas religiosas, para além de outra figuração humana acessória e complementar.
O claustro românico é uma dependência da Colegiada erguida no século XIII, apresentando as suas galerias de arcos de volta perfeita assentes em colunas com capitéis fitomórficos e zoomórficos. As antigas dependências anexas ao claustro são ocupadas pelo atual Museu de Alberto Sampaio, onde se expõem ricas estruturas retabulares de talha dourada de outras casas religiosas de Guimarães, para além de belos exemplares de escultura em pedra e madeira, paramentos e ourivesaria sacra. Magníficas alfaias de culto possui esta última secção, sendo de destacar o flamejante Tríptico da Natividade, oratório em prata dourada dos finais do século XIV e oferecido por D. João I à Colegiada vimaranense, bem assim como a Cruz Processional de João Rodrigues, obra em prata realizada no ano de 1547.
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