colonialismo

Já no Mundo Antigo, Gregos, Fenícios e Romanos se lançaram na aventura colonizadora de territórios descobertos ou, a maior parte das vezes, ocupados militarmente. Em moldes efetivos e duradouros, com impacto civilizacional, os Romanos terão dado ao termo colonialismo uma maior consistência geográfica e toda a sua legitimação e importância.
De forma mais lenta e menos conhecida, mas com uma dimensão geográfica e demográfica notável, a colonização de terras virgens ou despovoadas na Idade Média, na Europa e Ásia, para além da América pré-colombiana, adquire uma escala tão importante quanto é responsável pela difusão atual de línguas, culturas e povos por extensas áreas, principalmente no Velho Continente, como é o caso de eslavos e germânicos, com implantações territoriais vastas.
A partir do século XV, a colonização de arquipélagos atlânticos por portugueses (Açores, Madeira, Cabo Verde) e espanhóis (Canárias) lança a colonização numa perspetiva universal, abrindo as portas ao colonialismo moderno à medida que novos territórios ultramarinos vão sendo acrescentados à sempre incompleta cartografia de então. Constroem-se os primeiros impérios coloniais e os mais importantes até hoje, onde se incluem nações como a Inglaterra, a França e a Holanda, que superam as monarquias ibéricas no século XVII. O mercantilismo e o comércio triangular, aliás como as companhias monopolistas, fomentam igualmente a colonização do Ultramar. A ampliação do fenómeno colonialista atinge a sua fase de maturidade no século XIX, com a partilha do mundo pelas grandes potências europeias e pelos Estados Unidos da América, apoiados que estavam em imperativos economicistas e expansionistas a coberto da difusão de credos, línguas, culturas ou de expedições científicas. O colonialismo obedece a três motivações essenciais: militares ou estratégicas, com o apêndice da administração; económicas e sociais, também ligadas à pressão demográfica europeia; religiosas e culturais. Se as primeiras se prendem com imperativos de consolidação e afirmação do poder e do estatuto de potência das nações industrializadas ou tradicionalmente colonialistas da Europa, a segunda causa está adjacente à necessidade dessas mesmas nações, em grande desenvolvimento da sua estrutura produtiva baseada no setor secundário, de possuírem terras que produzam alimentos (para uma população em crescimento) ou matérias-primas e recursos energéticos para manterem as suas fábricas em situação rentável, para além de poderem apropriar-se de mão de obra barata (escravos) numa primeira fase. As causas de ordem religiosa, ainda que muitas vezes com expressão prática, ligadas à atividade missionária impulsionada pelo Concílio de Trento (1545-1563), são secundarizadas e ameaçadas no seu sucesso pelas primeiras, que teoricamente apoiavam a ação das congregações de missão. Os povos nativos das colónias, porém, entendiam as motivações religiosas do colonialismo como prolongamento das causas de ordem material.
Por outro lado, o desenho de fronteiras políticas em regiões africanas ou até ameríndias criará tensões entre povos antes separados e agora unidos sob modelos sociais, culturais e políticos desfasados dos seus padrões de vida. O racismo e a intolerância, nesta perspetiva, encontram as suas raízes no colonialismo, criando situações conturbadas. A missão civilizadora, argumento-base da doutrina colonialista, provocou fenómenos de aculturação e perda mesmo de identidade (crenças, tradições, práticas de subsistência, organização social) nos povos dependentes das metrópoles, assimilando confusa e precipitadamente formas culturais alheias.
A colonização obedece também, na sua efetivação, a três formas distintas: espontânea; organizada ou dirigida; forçada, como os deportados para a Austrália no século XIX.
Por outro lado, as colónias são usualmente divididas pelos historiadores em três tipos quanto ao aspeto económico: as de povoamento, como é o caso da América do Norte, com condições idênticas às da Europa; de plantação ou exploração, na África, América Latina (culturas, minas, pecuária); os comptoirs, em que os europeus apenas instalavam o sistema de produção e distribuição, aproveitando o grau civilizacional e económico das populações locais (China). Os colonos estabeleciam-se em grandes espaços, ocupando vastas regiões, ou pontualmente em locais estratégicos e de âmbito comercial, os entrepostos ou feitorias.
Os grandes impérios coloniais aparecem principalmente aliados ao desenvolvimento do capitalismo, a partir da Conferência de Berlim (1884-85) e até à Primeira Guerra Mundial (1914-18), época em que o colonialismo conheceu mais opiniões favoráveis, depois da série sucessiva de declarações de independência da América Latina. A supremacia militar e económica dos países industrializados da Europa, dos Estados Unidos e Japão resultará, nesse período, na partilha e anexação de territórios ultramarinos na África e Oceânia, para além de manterem os territórios que detinham anteriormente. Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Itália, Holanda, EUA e Japão constroem ou ampliam, nesta fase, impérios coloniais, enquanto Portugal e Espanha essencialmente definem e mantêm os que já possuíam de antemão.
Porém, o colonialismo era muito combatido, principalmente desde o Iluminismo, libertário e defensor do "bom selvagem". Constantemente se deu conhecimento, até ao após-Segunda Guerra Mundial, das atrocidades e atropelos aos direitos humanos ou racismo por parte das potências coloniais. O marxismo foi também uma das correntes doutrinárias opostas ao colonialismo. As críticas acentuam-se com o fim da Segunda Guerra, em 1945, quando se começam a impor movimentos nas colónias e mesmo entre os intelectuais ocidentais a favor da autodeterminação dos povos, nomeadamente em África, onde, com apoios exteriores por vezes, se desencadeiam processos de luta armada pela independência. As décadas de 50 e 60, depois do sucesso, em 1947, da Índia, e posteriormente da Argélia (1962), marcarão o início da descolonização na maior parte das colónias europeias em África e na Ásia, com casos mais sangrentos - Quénia e Vietname, entre outros - e outros pacíficos, atingindo a sua fase final com a descolonização em conflito dos territórios ultramarinos portugueses em 1974-1975.
Dos antigos impérios coloniais, pouco resta, mantendo ainda o Reino Unido alguns territórios minúsculos nas Caraíbas e Pacífico, como a França e os Estados Unidos, embora sem as características de outrora, numa altura em que o colonialismo perdeu sentido e não passa de uma recordação do passado.
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